Falta de crédito afeta setor automotivo

Leone Farias
Do Diário do Grande ABC

A crise financeira internacional tem gerado uma dificuldade de acesso a crédito para o financiamento de veículos no País. Para um segmento que depende em grande parte das vendas a prazo – pelo menos 65% dos carros zero vendidos são financiados -, a questão foi um dos principais pontos de preocupação relatados por executivos das montadoras nesta segunda-feira, durante a abertura, para a imprensa, do Salão Internacional do Automóvel, em São Paulo.

O evento, um dos principais do setor no mundo e que reúne cerca de 40 marcas e 450 modelos, abre oficialmente ao público no dia 30 deste mês e vai até dia 9 de novembro no Pavilhão de Exposições do Anhembi.

O presidente da General Motors do Brasil, Jaime Ardilla, afirmou que está confiante de que a situação pode se normalizar em dois a três meses e que ainda será possível que o mercado nacional cresça 5% no ano que vem. Ele expressa confiança em ações do governo federal para amenizar esse problema, entre as quais a autorização para os bancos estatais adquirirem participação em financeiras.

As vendas da GM em outubro estão em nível próximo ao do mesmo mês de 2007, mas a avaliação do executivo é de que se o crédito não se normalizar podem surgir problemas para a indústria no País, “e as empresas podem ser forçadas a criar desemprego”. Mas ele reitera que não há nenhum plano de demissões na fabricante no Brasil, nem houve revisão nos planos de investimentos.

Para Ardilla, mudanças nas condições de financiamento, como o ligeiro encarecimento dos juros, a redução dos prazos para 36 meses e a elevação do percentual exigido para entrada na compra a prazo, que passou de 10% para 20% em média não chegam a atrapalhar. “Ainda está muito bom para os patamares internacionais, só que não há disponibilidade normal (do crédito), é disso que precisamos”, disse.

Outro executivo, o diretor vice-presidente da Honda do Brasil, Kazuo Nozawa, destaca que a dificuldade é principalmente na área de usados, o que acaba atrapalhando as vendas de novos.

“Como os usados são dados como entrada, fica mais difícil encorpar a venda do zero km”, disse. A empresa mantém em outubro (até o dia 24) mesmo patamar de vendas do igual mês de 2007, mas revisou para baixo o volume previsto neste ano (de 128 mil para 125 mil unidades vendidas).

Nozawa prevê que para este ano o mercado todo deve ficar próximo das 3 milhões de unidades vendidas, o que ainda marcará o melhor resultado da história do setor no País. Já para o ano que vem, ele avalia que será difícil a manutenção das vendas no mesmo patamar deste ano.

Fonte: Diário do Grande ABC