Faturamento do setor de autopeças cai 12,4% no 1º semestre

Resultado puxou para baixo a utilização da capacidade instalada

REDAÇÃO AB

A queda na produção enfrentada pelas montadoras afetou em cheio a indústria de autopeças nacional, que já vinha enfrentando sérios problemas de competitividade. O faturamento do setor sofreu contração de 12,4% entre janeiro e junho de 2014. Considerando apenas as receitas de junho, o resultado foi 22,1% inferior ao de maio e expressivos 32,4% menor do que o mesmo mês de 2013. Os dados são do Relatório da Pesquisa Conjuntural, divulgado pelo Sindipeças.

A redução das encomendas das fabricantes de veículos foi a principal responsável pela queda na performance do setor. As entregas de autopeças às montadoras caíram 16,2% no primeiro semestre. Outro segmento que teve diminuição importante foi o de vendas intrassetoriais, que representam negociações de componentes entre os elos da cadeia produtiva, as próprias fabricantes de autopeças. A baixa chegou a 12% e preocupa não apenas pelo número significativo, mas por indicar aumento das importações. Segundo o Sindipeças, se as encomendas não são feitas dentro da própria indústria nacional, é possível concluir que as partes e conjuntos necessários estão sendo trazidas de fora por sistemistas ou montadoras.

Quedas menores foram anotadas no faturamento real das vendas para o mercado de reposição e das exportações. A receita com entregas ao aftermarket diminuiu 5,2%. A baixa é menos expressiva do que a registrado nos negócios com montadoras porque o segmento tradicionalmente não sofre grandes abalos diante da desaceleração da economia, já que depende da frota circulante de veículos do País. O segmento de exportações foi o que apresentou retração mais discreta no primeiro semestre, de 3%.

Diante da queda do faturamento a produção brasileira de autopeças sofreu redução de 15,4% entre janeiro e junho, segundo informa o relatório do Sindipeças a partir de dados do IBGE. A capacidade ociosa dessa indústria aumentou 4,4 pontos porcentuais e chegou a 34,7% em junho. A performance puxou para baixo também o nível de empregos, que acumulou redução de 3% no semestre.

Fonte: Automotive Business