Fenabrave aponta para mais um ano de queda

Alarico Assumpção-preasidente da FenabraveCom retração em todos os segmentos em 2015, setor volta ao patamar de 2007SUELI REIS, ABApós um ano tão aquém das expectativas, o balanço de 2015 não podia ser diferente: as vendas de veículos ficaram 26,5% abaixo do resultado de 2014 com o emplacamento de 2,56 milhões de unidades, entre automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus, conforme os dados divulgados na quarta-feira, 6, pela Fenabrave, que reúne o setor de distribuição. Os números confirmam 2015 como o quarto ano consecutivo de queda dos licenciamentos e em termos de volume o mercado ficou abaixo do patamar de 2007, o primeiro ano em que o mercado brasileiro ultrapassou os 2 milhões de unidades. Também pela primeira vez desde 2008 o setor não alcança a casa dos 3 milhões em vendas anuais.  Para a entidade o cenário não deve ser diferente em 2016 quando projeta ano ainda pior, com queda de 5,8% sobre o resultado já decadente de 2015, para algo em torno de 2,42 milhões de veículos leves e pesados. Alarico Assumpção, presidente da Fenabrave, aponta os mesmos fatores que repetidas vezes foram enumerados por ele ao logo do ano passado como causa de tamanha retração do mercado e que continuaram a exercer influência negativa no apagar das luzes de 2015.“A crise política, que piora ainda mais a situação caótica econômica, inflação alta, baixa confiança do consumidor, a piora do câmbio, a queda do PIB de 3,4% e a projeção de 1,9% a 2% negativa para 2016, além da expectativa do aumento da inadimplência de pessoa física, do desemprego e da queda real do salário”, argumentou Assumpção durante a apresentação do balanço anual na sede da entidade em São Paulo. Ele cita ainda a falta de carga para transportar no País – que acompanha o ritmo da economia – e a queda do preço das commodities como fatores adicionais de retração no setor de veículos pesados. Como pontos positivos, o executivo lembra da expectativa de mais um recorde na safra de grãos e da definição final do programa de renovação de frota que pode ser anunciado ainda neste mês pelo MDIC O QUE ESPERAR DE 2016 Tais fatores deverão persistir no cenário macroeconômico em 2016, aponta Tereza Maria Dias, da MB Associados, que faz a consultoria econômica da Fenabrave. Ela prevê PIB negativo em 1,9% para este ano, quase metade do índice de queda previsto pelo Boletim Focus. Embora se considere mais otimista que o Focus, a consultora comenta que, assim como em 2015, a retração da economia neste ano também refletirá mais duramente na indústria, que deve sofrer queda semelhante à do ano passado, de 5,5%. “O varejo e o setor de serviços também começarão a sentir mais e infelizmente o desemprego vai continuar. Contudo, acredito que o mais importante é fazer com que o grau de confiança volte a crescer”, afirma. Para o segmento leve, a Fenabrave acredita em retração de 5,9%, para 2,33 milhões de unidades contra os 2,47 milhões emplacados em 2015, cuja queda foi de 25,5% sobre o ano anterior. Os comerciais leves deverão continuar aprofundando o resultado, assim como no ano passado, quando os licenciamentos caíram 33,6%, para 354,2 mil. Para 2016, a projeção aponta para pouco mais de 305 mil unidades, volume 13,8% menor que o do ano passado. Já automóveis, cujos licenciamentos fecharam 2015 com queda um pouco menor, de 24%, para 2,12 milhões, em 2016 devem ficar no patamar das 2,02 milhões de unidades, segundo a Fenabrave, o que significa retração de 4,57% sobre 2015. Para pesados, a entidade espera volumes 2,81% menores em 2016, considerando caminhões e ônibus, para pouco mais de 89,5 mil unidades.  Em 2015, o segmento teve o pior resultado de todo o setor, com quedas de 47,6% para 71,7 mil caminhões e de 36,5% para 20,3 mil ônibus.
Fonte: Automotive Business