Férias coletivas ganham um impulso extra a partir de hoje

DCI | | 1/12/2008 – 09h20

Aproximadamente 70 mil trabalhadores estarão em férias coletivas durante o mês de dezembro, representando o mais forte impacto da crise financeira sentido até agora pelo setor produtivo nacional. As férias têm sido concedidas desde o final de outubro, mas se intensificarão a partir de hoje.
Segundo levantamento realizado pelo DCI, somente as montadoras serão responsáveis por 60 mil trabalhadores em férias coletivas. Número esse, que segundo fontes consultadas, é recorde. Outros setores, como o de autopeças, mineração, siderurgia, motocicletas e eletroeletrônicos, também seguem pelo mesmo caminho.

Entre as montadoras, aquela que deverá deixar o maior número de funcionários em casa é a General Motors (GM). As férias coletivas anunciadas pela empresa atingem 14.100 trabalhadores. Já a Volkswagen decidiu ampliar o período de férias coletivas de seus funcionários. Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, as paradas na unidade local da montadora alemã afetam 10,5 mil dos cerca de 11,5 mil trabalhadores.

Procurada pela reportagem, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) afirmou não possuir dados consolidados sobre o número de trabalhadores em férias coletivas. O presidente da entidade, Jackson Schneider, anunciou que esse é apenas um instrumento antigo da indústria para adequar a oferta à demanda e que o fato não gera preocupação.

Na esteira dessas paralisações, a indústria de autopeças também já sente reflexos. A Baterias Moura já anunciou que irá conceder férias a cerca de 1,2 mil funcionários. Já as quatro principais produtoras de pneus, Bridgestone, Firestone, Pirelli e Continental somarão 3,5 mil trabalhadores parados no final de ano.

Apenas no pólo industrial da região de Campinas, aproximadamente 25 mil trabalhadores do setor de autopeças ficarão em casa em dezembro. “As empresas vinham em um ritmo de produção muito alto, com 100% de sua capacidade produtiva. O primeiro movimento foi o corte de horas extras, depois começaram a dar férias vencidas, mas em blocos. O terceiro movimento está sendo as férias coletivas”, afirmou o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Campinas e Região, Jair dos Santos. Apenas nesse setor, as demissões já chegaram a mil.

A expectativa é que esse número cresça em janeiro. De acordo com Santos, muitas empresas não concediam férias coletivas desde 2003. O Sindicato Nacional de Indústria de Componentes para Veículos Automotivos (Sindipeças) informou que está sendo realizado um levantamento sobre os impactos da crise no setor. Pesquisa do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico do Paraná (Sindimetal) indica que, das 160 filiadas, 89% pretendem dar férias coletivas de uma semana a 30 dias em dezembro e janeiro. Desse total, 75% não previam a parada porque o setor vinha de um ano e meio de crescimento.

Na região de Piracicaba, onde estão instaladas empresas como a Caterpillar e Delphi, cerca de 10 mil pessoas ficarão de férias. De acordo com o presidente do sindicato da região, José Luiz Ribeiro, o normal, no período, seria de dois a três mil trabalhadores. A parada de grandes companhias, como a siderúrgica ArcelorMittal, que concedeu férias a 1,1 mil pessoas, está afetando a produção da região onde está instalada.

De acordo com o diretor administrativo e financeiro do sindicato dos metalúrgicos de João Monlevade (MG), Luiz Carlos dos Santos, cerca de 1,5 mil pessoas, que trabalhavam na planta da companhia como terceirizadas, também entraram em período de férias coletivas. “Estou no setor há 32 anos e nunca vi uma parada tão grande”, afirma.

Manaus

A Zona Franca de Manaus, no Amazonas, já está sentindo os reflexos da queda de demanda. Região conhecida por abrigar empresas do setor de motocicletas e eletroeletrônicos, verificará grande parada no início do mês. Segundo o secretário da Confederação Nacional dos Trabalhadores da Indústria de Manaus, Francisco Costa Mazinho, 12.500 trabalhadores dos setores de duas rod
Fonte: Webtranspo