Fiat dá férias coletivas para mais 3.000 funcionários em Betim

PAULO PEIXOTO
da Agência Folha, em Belo Horizonte

A Fiat Automóveis adotará entre os dias 17 e 26 deste mês novo período de férias coletivas em Betim (MG), que abrangerá dessa vez cerca de 3.000 empregados, segundo a montadora italiana. A novidade dessa vez, segundo o Sindicato dos Metalúrgicos de Betim, é que a decisão fará com que dez empresas fornecedoras também façam rodízio de férias entre seus funcionários.

Por conta do desaquecimento no setor automotivo, a Fiat já havia concedido férias coletivas de dez dias (de 13 a 22 de outubro) para 1.700 empregados e promoveu no final do mês uma parada técnica de três dias envolvendo aproximadamente 8.500 empregados.

Com a próxima paralisação, a produção diária, que era de 3.000 carros em setembro, cairá 20%, passando para 2.400 veículos. Além de ajustar a produção ao mercado e reduzir os estoques, Fiat e sindicato concordam que está sendo também uma oportunidade para a empresa ajustar as férias dos funcionários. As tradicionais férias de julho não ocorreram no ano passado e neste ano.

Em dezembro ocorrerão as tradicionais férias coletivas de final de ano, que abrangerão todos os cerca de 16 mil empregados. O presidente do sindicato disse que o terceiro turno, com cerca de 2.000 funcionários, também deverá parar no período de dezembro e janeiro (de 18 de dezembro a 11 de janeiro).

A Fiat, no entanto, não confirmou a informação.

Segundo Marcelino da Rocha, presidente do sindicato, há dois anos os trabalhadores vêm “dando cotas de sacrifício” às empresas por causa das horas extras todos os sábados e que, agora que houve um desaquecimento, as empresas não podem nem sequer pensar em demitir.

Embora o setor esteja desaquecido (a produção em outubro caiu 11,6% em relação a setembro e 3,3% em relação a outubro de 2007), a produção acumulada de janeiro a outubro é 9,6% maior que no mesmo período do ano passado.

A Fiat diz haver sinais de que o volume de crédito posto no mercado para as montadoras (cerca de R$ 8 bilhões) pode melhorar as vendas no mês.

Fonte: Folha Online