Ford anuncia acordo com funcionários da planta em São Bernardo do Campo

Os funcionários da Ford em São Bernardo do Campo (SP) aprovaram um acordo com a montadora em assembleia realizada nesta terça-feira, 30. O objetivo é recompensar, em partes, o fechamento da fábrica na cidade, anunciado em fevereiro.

Segundo a Ford, a negociação contempla um plano de demissão incentivada (PDI), apoio psicológico, programa de requalificação profissional com cursos realizados em parceria com o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e possível antecipação do encerramento das atividades de manufatura, a qual depende da negociação com um potencial comprador.

“A compensação financeira oferecida pela Ford será definida com base na combinação de condições empregatícias (mensalistas e horistas), tempo de trabalho e eventual contratação do funcionário por um potencial comprador da unidade de São Bernardo do Campo”, comunicou a Ford, em nota.

Além disso, a montadora informou que as conversas com potenciais compradores da fábrica de São Bernardo do Campo continuam. Nos bastidores, o nome mais comentado para adquirir a planta é o do grupo automotivo brasileiro Caoa.

Procurado por VEJA, o Sindicato dos Metalúrgicos confirmou o acordo e disse que já está trabalhando em um posicionamento.

Entenda o caso

Em 19 de fevereiro, a Ford anunciou o fechamento da planta de São Bernardo do Campo. Na ocasião, a montadora explicou que vai encerrar sua atuação no segmento de caminhões na América do Sul e deixar de comercializar os modelos Cargo, F-4000, F-350 e Fiesta, produzidos apenas no ABC paulista. O motivo, segundo a companhia, é a “ampla reestruturação de seu negócio global”.

Governos estadual e federal, com a prefeitura de São Bernardo do Campo, negociam a venda da fábrica para outra empresa automotiva, a fim de manter os empregos na região. Um possível comprador pode se beneficiar do programa de incentivo fiscal à indústria anunciado pelo governador de São Paulo, João Doria (PSDB), em março. Serão oferecidas reduções do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) em até 25% para montadoras que apresentarem planos de investir pelo menos 1 bilhão de reais e que gerarem no mínimo 400 postos de trabalho.