Ford anuncia fim da marca Mercury


Da AFP

O modelo Mercury, que a Ford deixará de fabricar no quarto trimestre de 2010, conheceu dias de glória, num carro pilotado por James Dean no filme “Rebel without a Case” (Juventude Transviada).

O construtor anunciou nesta quarta-feira, em comunicado, que vai se concentrar no desenvolvimento de sua marca de luxo Lincoln.

O Mercury foi lançado em 1939 por Edsel Ford, filho de Henry Ford, em contraposição ao modelo Lincoln elitista.

Mas, como outras marcas secundárias de dois outros construtores americanos, Chrysler e General Motors – “Plymouth e Oldsmobile -, o Mercury foi vítima, ao mesmo tempo de uma grande concorrência e de uma falta de diferenciação” em relação a outros modelos do grupo. O Mercury passou a deter, apenas, 0,8% do mercado americano em maio passado, segundo o próprio grupo.

O nome “Mercury” foi escolhido em referência a Mercúrio, o deus do comércio e das viagens na mitologia romana.

O primeiro modelo, Mercury Eight, dotado de um motor de 95 cavalos, mais potente, vendeu bem, antes da interrupção da produção durante a Segunda Guerra Mundial.

Em 1950, a produção do Mercury chegava a 334.081 veículos, distinguindo-se, então, por seus para-choques peculiares, para-brisa dividido ao meio e um painel parecido com o de um avião.

Um toque hollywoodiano marcou o Mercury modelo 1949 que James Dean dirigiu em 1955 em “Juventude Transviada”.

A partir de 1960, houve mudança de imagem: a linha Mercury adotou carros menores e mais sóbrios, mantendo um certo luxo, com os modelos Comet e Meteor.

O Comet se impôs numa competição em Daytona, o que lhe permitiu uma boa venda, enquanto que o Cougar, mais próximo do Ford Mustang, lançado no final da década, seduziu os amantes de carros potentes.

Nos anos 1970, a marca reduziu ainda mais seus modelos, sob o impacto do choque do petróleo que levou a clientela a procurar carros de menor consumo de gasolina: Mercury comercializou nos Estados Unidos o modelo Capri fabricado na Europa, depois um modelo renovado do Cougar, que se tornou um best-seller no final da década, antes do lançamento do Lynx.

Em 1986, o Mercury retornou à linha aerodinâmica com o Sable, com base no grande sucesso da Ford, o Taurus.

Mas nos anos 1990, a marca começou a decadência.

Fonte: Diário do Grande ABC