Ford aponta que vendas caíram 38% em janeiro

 Para a companhia, situação é preocupante, mas ainda é cedo para rever projeçõesGIOVANNA RIATO, ABA Ford aponta que 2016 começou ainda mais difícil do que o esperado. Rogelio Golfarb, vice-presidente de assuntos corporativos da empresa para a América do Sul, aponta que os dados do Renavam revelam que, até 22 de janeiro, foram emplacados 115 mil veículos no Brasil, entre leves e pesados. O número é 38% menor que o registrado nos mesmos dias 2015. “É preocupante, mas ainda é cedo para acreditar que este será o ritmo do ano e revisar projeções”, avalia. Segundo ele, a Ford trabalha com o cenário divulgado pela Anfavea de que o mercado nacional encolherá 7,5% em 2016, para 2,3 milhões de unidades. Mesmo que seja necessário enfrentar contração das vendas, a Ford pretende defender a participação de mercado duramente conquistada em 2015, de 10,2%. Ao longo do ano passado, enquanto as líderes do mercado Fiat, General Motors e Volkswagen entregaram market share, a marca abocanhou quase 1 ponto porcentual de presença nas vendas, impulsionada pela boa performance da nova geração do Ka. “Com declínio tão agressivo das vendas, é preciso administrar a redução do faturamento e o crescimento da competição entre as montadoras. Investimos em uma linha de produtos globalizada para defender nossa posição no mercado”, aponta. Além de manter a presença nas vendas, Golfarb destaca a preocupação em garantir a saúde financeira dos negócios. Ele admite que o cenário exige atenção. “Temos feito ajustes de preços, mas não conseguimos corrigir todos os aumentos de custos com o mercado contraído como está”, aponta. Segundo o executivo, a empresa vem trabalhando para reforçar as exportações, mas os resultados não são imediatos. “Estamos avaliando a possibilidade de vender para outros mercados, mas temos que lembrar que o cenário global traz muitos competidores com baixo custo de produção, como Índia, China e Coreia”, enfatiza. Os clientes tradicionais da operação brasileira da Ford são os mercados latinos, como Chile, Argentina e Colômbia. Golfarb indica que, entre 2004 e 2005, a empresa chegou a exportar 42% da produção local. “Hoje estamos muito distantes disso”, diz, sem revelar qual é o porcentual atual.
Fonte: Automotive Business