Ford estima carro autônomo no mercado em cinco anos

 Thomas Lukaszewicz vem ao Brasil e fala do futuro da condução e da segurança
SUELI REIS, AB
A Ford estima que seu primeiro carro autônomo poderá chegar às ruas em até cinco anos, disse Thomas Thomas Lukaszewicz, que comanda a área de direção automatizada do centro de pesquisa e engenharia avançada da Ford em Aachen, na Alemanha. O engenheiro que está no Brasil pela primeira vez veio exclusivamente ao País para apresentar as inovações da marca relacionadas à segurança e aponta as tendências da evolução da direção e da mobilidade urbana durante evento realizado na quinta-feira, em São Paulo.Para Lukaszewicz, para que o carro autônomo se torne uma realidade nas ruas, os sistemas que independem das montadoras, como gerenciamento de tráfego ou o big data na nuvem devem evoluir na mesma proporção ou pelo menos apontar para a mesma direção. “Um carro 100% autônomo depende das condições externas. Acredito que o adequado seja um ambiente controlado, com mapas em alta definição e alta precisão, além de outras condições que estejam sob controle, como estradas onde não há incidência de pedestres. Neste contexto, a Ford poderá fornecer carros autônomos nível 4 em até cinco anos”, revela, considerando que veículos nível 5, segundo a tabela de especificações da SAE, se refere a um veículo 100% autônomo enquanto o nível zero refere-se a um veículo sem assistência nenhuma. O engenheiro aponta que grande parte do que a montadora produz e desenvolve atualmente está intimamente ligada à evolução da direção autônoma aliada a conectividade, principal característica das inovações da marca. Segundo ele, a conectividade dos veículos, já presente em toda a linha da Ford no mundo, será a chave para os sistemas avançados de assistência ao motorista do futuro, fornecendo alertas sobre situações fora do seu campo de visão. Neste âmbito, a montadora trabalha com duas vertentes: a comunicação veículo-a-veículo V2V e veículo-a-infraestrutura V2I, usando a tecnologia W-LAN e rede de celular, com coleta e processamento de dados no veículo pelo sistema Sync. “A infraestrutura de comunicação veículo-a-veículo vai trazer maior segurança nas pistas, aumento da eficiência e melhoria no fluxo de tráfego, além de possibilitar informações sobre clima e tráfego em tempo real”, disse. “Além disso, os veículos podem ser usados como sensores para melhorar o fluxo de tráfego, como por exemplo, nos semáforos.”É cada vez mais evidente a inclusão maciça de diferentes softwares para a realização de funções mais automatizadas, processo que ele denomina como blocos construtivos: “São inovações que buscam aumentar a automação até atingir totalmente a direção autônoma”. Outro dado abordado por ele é a oportunidade de soluções e serviços que podem surgir para carros conectados a partir da análise e compreensão dos dados que surgirão na nuvem a partir do aumento da automação, seja dos veículos, seja da infraestrutura. “Tal análise poderá contribuir também na indústria, como por exemplo, para reduzir o tempo de produção desde a entrada do pedido até a chegada do veículo ao cliente.”SEGURANÇA COMO PRIMÓRDIOO maior desafio quanto à chegada do carro autônomo nas ruas está exatamente na manutenção da segurança, primícia para o desenvolvimento de tecnologias deste tipo. Dúvidas relacionadas à capacidade totalmente independente do veículo em prever situações e evitar colisões ou mesmo atropelamentos ainda circundam as mesas de planejamento das engenharias. “Existem alguns tipos de recursos que ainda precisam da intervenção do motorista”, diz Lukaszewicz. “Todos os sensores atuais têm vantagens, mas também têm limitações. Exemplo: onde há incidência de neve, como garantir que o veículo continuará andando entre as faixas? Para um carro 100% autônomo, o ambiente precisa ser controlado.” As novidades que despontam em veículos novos da marca dizem respeito especialmente à segurança, seja ativa, como sistemas de frenagem autônoma, se
Fonte: Automotive Business