Ford ganha terreno e projeta 2016 pior

 Marca espera cair menos com mais lançamentos e renovação de produtosPEDRO KUTNEY, ABArmstrong: ganho de market share para compensar parte da queda do mercado brasileiro“Esperamos por um novo ano difícil, com nova queda do mercado brasileiro. Espero que talvez em 2017 o crescimento volte, mas estamos bem preparados para quando a indústria se recuperar, vamos continuar a ampliar e renovar nossa oferta de produtos, com dez lançamentos na área de caminhões e seis automóveis em 2016.” Assim Steve Armstrong, presidente da Ford América do Sul, desenha o cenário logo à frente no Brasil, com projeção de que as vendas de automóveis e comerciais leves vão novamente cair no próximo ano, para algo entre 2 milhões a 2,2 milhões de unidades, número de 8% a 16% menor do que os 2,4 milhões esperados até o fim de 2015. A expectativa para caminhões também segue ladeira abaixo: cerca de 65 mil veículos, o que significará nova baixa de quase 10% sobre os 72 mil esperados até o fechamento deste ano. Armstrong garante que, apesar do tombo, “o Brasil segue sendo um mercado importante”. Para enfrentar o momento adverso, segundo ele a Ford já vem se preparando para ajustar a produção para baixo. Há uma semana a montadora anunciou que vai fechar o terceiro turno de sua fábrica baiana em Camaçari. Na planta de São Bernardo Campo SP será adotado em janeiro o Programa de Proteção ao Emprego PPE com reduções de jornadas e salários. Na unidade de motores de Taubaté SP a empresa segue negociando com o sindicato local uma solução para reduzir o ritmo. A expectativa, no entanto, é compensar parte da retração esperada com a conquista de terreno, como já aconteceu este ano. “Provavelmente fazemos um trabalho melhor no ambiente desafiador. Evoluímos em toda a região das América do Sul apesar da queda nas vendas”, destaca Armstrong. Em 2015 a Ford aumentou em 1,3 ponto porcentual sua participação nas vendas totais, somando 10,5% de janeiro a novembro com 236,2 mil automóveis e comerciais leves emplacados no período, mantendo-se como quarta marca mais vendida do País. O número representa queda de 13,2%, percentual bem menor do que a queda geral do mercado que chega a 24% no volume acumulado de 11 meses. “Focamos na oferta de mais tecnologia de segurança e conforto e isso trouxe dividendos”, explica o executivo. Na área de caminhões acontece movimento parecido: a Ford ganhou expressivos 4,2 pontos de participação na soma das vendas entre janeiro e novembro, retomando assim o terceiro lugar no mercado que havia perdido em 2014. Com 18,2% de market share, os emplacamentos de 12 mil unidades configuram queda de 30% sobre o mesmo período do ano passado, mas ainda assim é bem melhor do que o tombo de 46,3% do mercado. A linha de leves Série F, relançada no ano passado, fez toda a diferença para a Ford, respondendo por cerca de 18% das vendas de caminhões da marca. ESTRATÉGIA ACERTADA“A Ford colhe os bons resultados de ter escolhido a estratégia certa para o mercado brasileiro, oferecendo uma linha de produtos globais que alcança os desejos do consumidor”, afirma Natan Vieira, vice-presidente de marketing, vendas e serviços da Ford América do Sul. Ele destaca o desempenho do novo Ka, lançado no ano passado, que este ano se tornou o modelo 1.0 mais vendidos do País – isso se explica porque dos 83,4 mil Ka 1.0 e 1.6 emplacados de janeiro a novembro, consideráveis 37% foram vendas diretas com grandes descontos a frotistas e locadoras, quase todos versões com motor 1.0, que fazem do modelo o segundo mais comprado nesse segmento do mercado em 2015. Para Guy Rodriguez, diretor de marketing, vendas e serviços da Ford Brasil, o momento é de comemoração diante da situação da indústria. “Conseguimos passar melhor por esse momento com a oferta de uma linha global de produtos que traz tecnologia de segurança e conforto que o cliente busca
Fonte: Automotive Business