Ford vende primeiro híbrido total do Brasil


Fusion com motores elétrico e a gasolina chega por R$ 133,9 mil.

Pedro Kutney, especial para Automotive Business

O Brasil entrou oficialmente na era dos carros híbridos totais, os chamados full hybrids, que a velocidades mais baixas se locomovem só com motor elétrico, acionando o tradicional a combustão em vias expressas, ou para recarregar a bateria. Assim é o Ford Fusion Hybrid, o primeiro full hybrid do mercado brasileiro, que começou a ser vendido este mês. Do ponto de vista do motorista, quase não há diferenças perceptíveis, pois o desempenho e o conforto são tão bons quanto o do modelo convencional. Rodando pelas congestionadas ruas de São Paulo, ninguém notou tratar-se de um híbrido, nem dentro e nem fora do veículo.

Fabricado no México, o carro chega ao mercado brasileiro sem pagar imposto de importação devido ao acordo comercial mantido com o país, mas esta é a única vantagem fiscal. Apesar de ser tão ou mais econômico do que um popular 1.0 (faz 16,4 km/l em rotas urbanas e 18,4 km/l na estrada), como tem motor a gasolina de 2,5 litros, o Fusion híbrido paga a alíquota mais alta de IPI, o que encarece todos os demais impostos que vêm a seguir em cascata.

Sem nenhum incentivo para privilegiar a maior eficiência energética, o “luxo sustentável” cobra seu preço: o modelo da Ford é vendido aqui por R$ 133,9 mil, valor R$ 51,7 mil acima da versão de entrada do modelo 2.5 convencional, que gasta cerca de 50% mais combustível na cidade e 15% mais na estrada. Em resumo, o Fusion Hybrid oferece todos os luxos (inclusive o preço) de um veículo de alta gama, que são combinados com a única vantagem de um veículo popular: a economia.

Representantes da Ford admitem que é “bastante provável e viável” a adoção de motor a combustão flex etanol-gasolina no Fusion híbrido, o que poderia tornar o modelo mais acessível e atraente por aqui. Contudo, ninguém se compromete com o tempo que isso poderia acontecer, pois a estratégia é primeiro ver se a tecnologia emplaca no mercado brasileiro.

Compradores

“Quem pode comprar um carro de luxo, mesmo que não se importe com isso, agora tem a vantagem do consumo menor que só o comprador dos 1.0 tinha”, compara a gerente de produto Adriana Carradori. Com isso, há dois tipos distintos de clientes potenciais. O primeiro são as grandes empresas que pretendem incluir veículos híbridos em suas frotas, tanto pelo corte de custos com a maior economia de combustível como pelo possível ganho de imagem, especialmente em corporações que querem aliar sua marca a iniciativas de sustentabilidade ambiental. Outro provável potencial é o chamado “cliente tecnológico”, aquele que sempre quer ser um dos primeiros a comprar os produtos mais modernos.

Contudo, nenhum representante da Ford arrisca dizer quantos Fusion Hybrid se pretende vender no Brasil. A aposta é que a tendência mundial de adoção de híbridos cresça por aqui também. “É um segmento totalmente novo para nós. Vamos vender o quanto o mercado pedir”, garante Adriana. Segundo a Ford, os interessados apareceram rápido, assim que o preço foi divulgado no Salão do Automóvel de São Paulo, em outubro.

Na prática, o primeiro comprador do Fusion Hybrid no Brasil é uma empresa: a Petrobras, que por certo tem intenção de testar a tecnologia que irá afetar diretamente seus negócios no futuro próximo. Outros usuários do híbrido já confirmados serão o atual e a próxima presidente da República, pois a Ford cedeu à Presidência um veículo em comodato.

A Ford torce para que a versão híbrida do Fusion ajude a aumentar o sucesso do modelo convencional, que após sua chegada ao Brasil, em junho de 2006, fez dobrar o segmento de sedãs médios de luxo no País. Este ano as vendas do Fusion atingem a média de 900 unidades/mês, devendo fechar o ano com quase 11 mil veículos vendidos.

Nos Estados Unidos, onde os híbridos correspondem a 2,5% das vendas atualmente, a Ford já vendeu quase 200 mil unidades com essa tecnologia desde 2004, quando lançou a versão híbrida do Escape. O Fusion
Fonte: Automotive Business