França nega interesse em saída de Ghosn

                                             Questão está relacionada a suposta espionagem.

Clarissa Mangueira, da Agência Estado

O governo francês diz que não está buscando a saída de Carlos Ghosn, executivo-chefe da Renault, a segunda maior montadora do país, apesar da companhia ter demitido ou afastado seis altos executivos como punição pelo falso escândalo de espionagem “revelado” em 2010, segundo o ministro do Orçamento e porta-voz do governo francês, Francois Baroin.

“Nós nunca pedimos a cabeça dele”, afirmou Baroin numa entrevista a um canal de rádio quando questionado se Ghosn pedirá demissão.

Demissão

O ministro da Indústria da França, Eric Besson, disse ontem ao Grupo Estado que a demissão de Ghosn esteve em questão. Mas o tema não poderia ser decidido pelo governo – que tem participação de cerca de 15% no grupo -, mas pelo conselho de administração.

No início do ano passado, a Renault afastou três de seus altos executivos acusando-os de espionagem industrial, por terem vazado informações sobre carros elétricos desenvolvidos pela montadora. Após uma auditoria interna, a empresa descobriu que Matthieu Tenenbaum, Betrand Rochette e Philippe Clogenson eram inocentes e Ghosn desculpou-se numa entrevista na TV, dizendo que eles seriam indenizados. Ghosn também afirmou que ele e Patrick Pélata iriam desistir de seus bônus neste ano.

Ontem, o conselho de administração da Renault aceitou o pedido de demissão de Pélata, diretor-geral e braço direito de Ghosn na companhia, por erros de governança. Ele era chefe direto dos três executivos acusados injustamente no caso de espionagem. A imprensa francesa chamou Pélata de bode expiatório no caso. Ghosn afirmou ontem que Pélata continuará a trabalhar dentro da aliança entre a Renault e a japonesa Nissan, exercendo novas funções.

Outros cinco executivos da empresa foram punidos, segundo o jornal. Rémy Pagnie, diretor de Proteção e Segurança, e dois de seus subalternos, Dominique Gevrey e Marc Tixador, foram demitidos. Completam a lista de afastados Christian Husson, diretor do Departamento Jurídico, e Laurence Dors, secretária-geral, que “aguardarão discussões quanto a seus futuros”, segundo nota oficial divulgada pelo grupo. As punições foram anunciadas na tarde de ontem, em Boulogne-Billancourt, após a reunião do conselho da montadora.

O governo francês “pediu pela verdade e sanções” no caso, disse Baroin. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo e da Dow Jones.

Fonte: Automotive Business