Funcionários da Renault frequentam cursos para evitar demissões

Trabalhadores têm aulas e mantiveram salários, mas trabalho foi suspenso.
Diretor diz que não existe compromisso de não “desligamento” após curso.

Do G1, com informações do Jornal da Globo

Uma alternativa às demissões é a suspensão temporária do contrato. Mil funcionários da Renault começaram a frequentar cursos de requalificação.

A lista de material escolar na casa do operário Neilo Veiga foi maior neste ano, mas não só para os filhos.

“Comprei caneta, lapiseira e caderno para fazer as anotações”, diz.

Sidnei fabrica peças, José monta motores e Ademir controla qualidade. Nas salas de aula, eles fazem parte do grupo de mil alunos, operários acostumados a fazer carros, que começaram cursos de especialização nos cinco meses em que vão ficar parados, porque a fábrica decidiu diminuir a produção.

O acordo foi assinado para evitar demissões. Os funcionários continuam recebendo o mesmo valor de quando estavam trabalhando. Parte do dinheiro vem do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). Para usar esses recursos, a montadora precisa oferecer treinamento para os funcionários.

A primeira aula foi sobre segurança no trabalho. Nas próximas, empregabilidade e orçamento familiar, com professores que são colegas da fábrica. Na segunda fase, os operários vão receber aulas práticas no Senai, e podem escolher entre as áreas em que trabalham, como mecânica de automóveis, eletricidade industrial e informática básica. A fábrica ainda não tem planos para a volta dos alunos ao trabalho.

“Não existe o compromisso de não desligamento ao final. Se acontecerem as demissões, a Renault vai fazer uma compensação aos recursos que foram utilizados”, diz o diretor de recursos humanos da Renault, Carlos Magni.

Para o professor do curso de administração da PUC do Paraná Marciano Cunha, os operários devem aproveitar o treinamento, que pode abrir para eles novas oportunidades.

“A montagem da grade curricular ou de um programa de um curso desse tem de ter um enfoque técnico, mas também um enfoque mais empreendedor. Até para que de repente, esse profissional possa sair dali e montar um negócio pra ele”, comenta o professor.

Fonte: G1 Globo online