General Motors corta 10 mil empregos e reduz salários no mundo

A montadora americana General Motors anunciou nesta terça-feira que vai cortar 10 mil postos em 2009 –13,7% de sua força de trabalho– como parte de um plano de reestruturação motivado pela forte queda nas vendas. Com isso, segundo a GM, a folha de pagamento ficará com 63 mil funcionários efetivos.

Só nos EUA, cerca de 3.400 dos 29.500 cargos administrativos devem ser fechados –a expectativa é que os cortes ocorram até maio. A General Motors não especificou a distribuição geográfica dos outros postos que serão eliminados. Procurada pela Folha Online, a GM do Brasil afirmou que “não tem nenhuma informação adicional ao que foi divulgado pela matriz, nos Estados Unidos, ou sobre o detalhamento da medida”.

O corte de vagas faz parte do plano de reestruturação apresentado ao Congresso dos EUA no ano passado para permitir a ajuda financeira à montadora –que junto com a Chrysler recebeu US$ 17,4 bilhões.

“Essas medidas difíceis são necessárias em função de uma severa queda na venda de veículos no mundo todo e pela necessidade de reestruturar a GM em termos de uma viabilidade a longo termo”, informa o comunicado da montadora de Detroit.

Também a partir de 1º de maio, a maioria dos trabalhadores assalariados da GM nos EUA sofrerá “uma redução temporária” de seus salários, que durará até o final do ano, afirma a empresa. Os salários dos executivos serão cortados em 10%, enquanto as outras reduções irão variar entre 3% e 7%, explica a GM.

“Outros países estão atualmente revisando o salário e benefícios dos empregados assalariados”, acrescentou a General Motors.

De acordo com a montadora, as negociações com sindicatos e associações de trabalhadores do setor estão em curso e podem levar a outras decisões para enfrentar a crise.

Desde o início da crise, a GM já anunciou a demissão de 11 mil empregados nos EUA, sendo os últimos 2.000 postos nas fábricas nos Estados de Michigan e Ohio. Além disso, unidades foram paradas e a linha de produção reduzida.

A montadora é a mais afetadas pela crise mundial. Em janeiro, a GM registrou queda de 49% em suas vendas nos Estados Unidos, em relação ao mês anterior, com 129.227 veículos comercializados. Com o resultado ruim, a GM prevê que a produção somará 380 mil carros no primeiro trimestre de 2009, o equivalente a uma queda de 57% sobre o mesmo período do ano passado.

Aposentadorias

Os empregos cortados hoje não estão incluídos nos programas de aposentadorias antecipadas e de demissões voluntárias oferecidos a seus trabalhadores nos Estados Unidos. O Programa Especial de Demissões começou no dia 6 de fevereiro e foi estipulado com o sindicato United Auto Workers (UAW, na sigla em inglês).

A GM não informou os valores oferecidos, mas a imprensa americana indicou que a empresa está oferecendo US$ 20 mil em dinheiro e um vale de US$ 25 mil para compra de carros. Atualmente, cerca de 22 mil trabalhadores têm direito a optar pelo plano de aposentadoria antecipada.

Nissan

Na segunda-feira, amontadora japonesa Nissan anunciou nque deve cortar 20 mil empregos em todo o mundo como resultado do primeiro ano de prejuízo da companhia em quase uma década. A empresa prevê uma perda de 265 bilhões de ienes (US$ 2,9 bi) para o ano fiscal de 2008-2009 (que termina em março deste ano). No Brasil, segundo a assessoria de imprensa da empresa, não estão previstos cortes.

Com as demissões, a Nissan se uniu a outras grandes companhias japonesas entre os afetados pela crise. A Toyota anunciou que deve registrar em 2008 seu primeiro prejuízo anual da história. A Panasonic planeja fechar 27 fábricas e demitir 15 mil funcionários. As montadoras Honda, Yamaha, Suzuki e Mazda também registraram perdas, assim como as companhias do setor tecnologico Sony, Toshiba e Sanyo, entre outras.

Fonte: Folha Online