GM cria no interior de SP pista que simula gelo

Black Lake tem mais de mil metros quadrados
Novidade ajudará a desenvolver principalmente veículos para outros países

Lucas Litvay

A GM investiu cerca de US$ 70 milhões, dois anos de trabalho e empregou mais de duzentas pessoas para construir a 17ª pista de testes no Campo de Provas de Cruz Alta, em Indaiatuba, interior de São Paulo. Batizada de Black Lake, a novidade tem mais de mil metros quadrados, e uma função prioritária: simular uma pista coberta de gelo. Mas o Brasil tem gelo? “Precisávamos validar os carros desenvolvidos para outros mercados, como as picapes Hummer para a América do Norte”, explica Pedro Manuchakian, vice-presidente de engenharia da marca. “Evitamos assim que o protótipo seja enviado aos EUA para realizar esse teste específico. Reduzimos custo e tempo.” A estimativa é que sejam economizados de dois a quatro meses no desenvolvimento de um automóvel com a Black Lake.

E como a nova pista funciona? Entre uma faixa e outra de asfalto foram colocadas tiras cobertas por granitos polidos. Se estivessem lado a lado, os granitos da Black Lake poderiam cobrir o campo do Pacaembu, e ainda haveria pedras para forrar boa parte da arquibancada. Na tira mais áspera, o grau de atrito equivale a 0.3. Na mais lisa, apenas 0.1 – asfalto de qualidade tem taxa de 0.9. Saídas de água ao redor do granito, embutidos no asfalto, espirram o líquido sobre a pedra para deixar a superfície bem mais lisa. “Dessa forma conseguimos simular uma pista com gelo mesmo sob um sol de 30º C”, diz Manuchakian. Sobre o granito molhado, é possível fazer testes de freio e de mudança de faixa no local mais largo da pista. Também foram colocada pedras polidas em uma área de aclive. Neste caso, a ideia é experimentar o funcionamento de controle de tração.

“A abrasão do asfalto e do granito é idêntica ao do campo de provas da GM nos Estados Unidos”, afirma James Queen, vice-presidente mundial de engenharia da fabricante. “Levamos diversos operários da obra para os EUA para tirar as medidas exatas.” A água a ser utilizada na pista virá do piscinão ao lado, que retém a água da chuva. Em períodos de seca, três caminhões pipas farão a tarefa. “Com a Black Lake, o campo de provas da GM se equipara aos mais modernos do mundo”, diz Manuchakian. Ainda falta um túnel de vento, que, pessoas ligadas à marca, dizem que ainda não está nos planos para Cruz Alta.

Fonte: Auto Esporte