GM entra com pedido de concordata nos EUA

A General Motors, com o suporte do governo norte-americano, entrou com pedido de recuperação judicial hoje, 1º de junho, diante de um tribunal de Nova York, solicitando a proteção da legislação (Chapter 11) para sua reestruturação. A jurisdição é a mesma que trata da concordata da Chrysler.

A companhia listou US$ 82,29 bilhões em ativos e US$ 172,81 bilhões em débitos.

Trata-se da maior concordata na história da indústria do país, que foi solicitada pela manhã e será analisada em entrevista à imprensa prevista para o meio-dia a pedido do presidente da General Motors, Frederick Henderson.

Al Koch, diretor da empresa de consultoria AlixPartners, comandará o processo de reorganização da empresa, função que já vem exercendo desde o princípio do ano com o objetivo de dividir as operações em duas partes: a Nova GM e a velha empresa, que deve ser liquidada.

Concordata até agosto

Enquanto a Chrysler pode sair da concordata a curto prazo, a GM deve enfrentar um período de 30 a 60 dias sob a supervisão judicial e emergir como uma nova estrutura até 1º de agosto para voltar a ser lucrativa com uma operação flexível e produtos adequados à atual realidade.

A estratégia para compor a Nova GM é dolorosa, incluindo o fechamento de mais de uma dezena de fábricas, dispensa de trabalhadores, redução drástica da rede de concessionárias e eliminação ou venda de marcas tradicionais. Operações internacionais serão afetadas duramente, como já acontece com a européia Opel.

Novos proprietários

O pedido de concordata acontece depois da GM ter conseguido acordos com o UAW (sindicato dos trabalhadores, que deve receber 17,5% de participação na Nova GM em troca de dívidas previdenciárias) e credores (que trocarão US$ 27 bilhões em títulos por 10% das ações e terão direito a absorver outros 15% no futuro).

O governo norte-americano (que já injetou US$ 19,4 bilhões na operação da General Motors) terá 60% da companhia, com novos empréstimos a ela estimados em US$ 30 bilhões. O presidente Obama, que supervisiona todo o processo de reestruturação, declarou que pretende interferir o mínimo possível na administração da Nova GM nas próximas etapas.

O governo canadense (junto com o Estado de Ontário) ficará com uma parcela de 12,5%. A centenária companhia, que já fez acordo para a venda de uma parte importante da Opel, sua subsidiária na Europa, prepara-se para interromper a produção da divisão Pontiac e negociar Hummer, Saturn e Saab. Restariam as marcas Chevrolet e Cadillac.

Em 1962 a General Motors detinha 51,1% das vendas de veículos nos Estados Unidos. Este ano a participação caiu para 19,2%. Até o final de 2010 a companhia pretende eliminar cerca de 2.400 representantes na rede de distribuição.

O impacto das mudanças na corporação, associado à queda do mercado automotivo e das transformações na Chrysler, será significativo também na rede de fornecedores. Teme-se um avanço das concordatas.

Fonte: Automotive Business