GM nega atraso de novo projeto no Brasil

Carro compacto poderia ser fabricado em São José dos Campos

 

PEDRO KUTNEY, AB

Apesar de
há quase dois anos ter negociado incentivos fiscais e um acordo com os
trabalhadores para viabilizar um novo investimento da ordem de R$ 2,5 bilhões
na fábrica de São José dos Campos SP , desde maio de
2013 a General Motors não deu mais notícias sobre os planos de produzir
no Brasil um carro compacto global. Apesar de todo esse tempo, a empresa nega
que os planos tenham sido adiados: “Não houve adiamento e não temos nenhum
anúncio a fazer no momento”, esquivou-se Dan Ammann, presidente de operações
globais da GM, que esteve na sede da empresa no País na segunda-feira, 26, para
a inauguração do novo centro de armazenamento de peças da fábrica de São
Caetano do Sul
Ammann garantiu que a situação desfavorável do mercado brasileiro não é
responsável pela demora no anúncio do projeto, que segundo apurou Automotive
Business
já foi inclusive negociado algumas vezes com diversos fornecedores
da GM, primeiro com o nome-código Jade e, mais recentemente, Âmbar.
“Provavelmente teremos mais um ano difícil no Brasil em 2015, mas não é isso
que influencia os nossos investimentos, olhamos para o longo prazo e não a
situação atual”, disse o executivo.

O projeto do carro popular não está contemplado no investimento de R$ 6,5
bilhões anunciados pela GM em 2014 para ser aplicado até 2018 em modernização
de fábricas e nacionalização de componentes. Segundo já havia confirmado o
presidente da GM Brasil, Santiago Chamorro, a produção de um modelo
completamente novo exigiria aportes adicionais da companhia.

PROJEÇÕES

A GM espera para 2015 um ano igual a 2014 no Brasil. “Estimamos que o mercado
interno vá consumir cerca de 3,5 milhões de veículos, com desempenho melhor no
segundo semestre”, avalia Chamorro.

Com o
resfriamento das vendas, no início do ano a GM ampliou o número de funcionários
afastados da produção, com suspensão temporária dos contratos de trabalho
layoff. Em São Caetano existem 950 funcionários em licença e outros 930 em
São José dos Campos. Segundo Chamorro, não há garantias que a empresa possa
trazer todos de volta quando terminar o prazo legal máximo de layoff, de cinco
meses: “Eu espero que sim, mas precisamos esperar para ver como fica a
situação. O que estamos negociando em conjunto com a Anfavea é a adoção de um
prazo maior de afastamento, pois o mercado pode demorar mais do que cinco meses
para se recuperar”, afirma.

Fonte: Automotive Business