GM tem de separar marcas para evitar demissões, diz sindicato europeu

da Folha Online
da Efe, em Zaragoza

O comitê europeu sindical da General Motors (GM) afirmou nesta segunda-feira que o plano de viabilidade elaborado pela montadora de automóveis multinacional “não é viável” e que a empresa deveria separar suas marcas.

Segundo o comitê, órgão sindical que representa todos os centros de trabalho da companhia na Europa, a “única opção razoável e possível” para “não destruir as operações” da GM na Europa e evitar possíveis demissões maciças é separar as marcas Opel-Vauxhall e Saab.

De acordo com ele, o plano de viabilidade da GM pode levar a Opel e a Saab a “demissões maciças e, provavelmente, o fechamento de várias fábricas”.

Segundo o sindicato, sua aplicação levaria ao “colapso da Opel-Vauxhall em um prazo de ano e meio”.

A representação sindical afirmou que “apoia ativamente” o pedido de avais aos governos europeus, mas lembrou que isso exige o desenvolvimento de “um modelo sustentável e viável de negócio que requer investimentos”.

Demissões

Na semana passada, a GM anunciou um plano de demissão voluntária que foi oferecido a seus 62 mil funcionários que são filiados ao UAW (United Auto Workers, principal sindicato do setor). A direção da GM espera que pelo menos 11 mil desses funcionários aceitem o pacote preparado para incentivar a saída da empresa, que consiste em US$ 20 mil de indenização e um bônus de US$ 25 mil para a compra de um novo veículo.

A oferta deverá permitir aos funcionários enquadrados nas condições propostas deixar o grupo até 1º de abril. Também na semana passada, a GM informou que vai cortar 10 mil postos de trabalho em 2009 –13,7% de sua força de trabalho– como parte do plano. Só nos EUA, cerca de 3.400 dos 29.500 cargos administrativos devem ser fechados –a expectativa é que os cortes ocorram até maio.

No sábado, o “WSJ” informou que a GM estuda pedir mais dinheiro à Casa Branca ou declarar falência. Por sua parte, o serviço de informação financeira e econômica pela internet MarketWatch afirmou que o Sindicato de Trabalhadores do Automóvel (UAW) retirou as concessões que tinha feito em suas negociações com a GM, e as conversas foram suspensas.

Força-tarefa

Nos Estados Unidos, o presidente Barack Obama vai criar uma comissão especial, que reunirá representantes de diversos órgãos do governo, para supervisionar a reestruturação do setor automotivo americano, descartando assim a possibilidade de nomear um “czar dos carros” para executar essa tarefa, segundo reportagem desta segunda-feira do diário americano “The Wall Street Journal” (“WSJ”).

O secretário do Tesouro, Timothy Geithner, e o presidente do Conselho Econômico Nacional, Lawrence Summers, liderarão a nova comissão, segundo a reportagem. A decisão de Obama de renunciar à ideia de seu antecessor, George W. Bush, de nomear um “czar” para fazer a mediação entre governo, indústria automotiva, sindicatos e outras partes envolvidas, foi conhecida na véspera da apresentação por parte das companhias de suas propostas para a reestruturação do setor.

Fonte: Folha Online