Grande A4 ou pequeno A6?


Nova geração do sedã ganhou porte e equipamentos dignos de categoria superior. Versão 3.2 V6 agora vem com tração integral Quattro de série

Daniel Messeder // Fotos Ricardo Rollo

Nenhuma montadora deseja que chova no evento de lançamento de um carro dela. Mas o temporal que caiu durante a avaliação do novo Audi A4 só serviu para evidenciar ainda mais as qualidades do modelo. Mesmo maior e, teoricamente, menos ágil, a oitava geração do sedã (a terceira desde que ele virou A4, antes era Audi 80) esbanjou desempenho e muita estabilidade em um trecho repleto de curvas, mesmo com o piso escorregadio.

A naturalidade e a precisão com que o A4 enfrentava o trecho sinuoso fazia a gente esquecer que estava no comando de um sedã de 4,70 m de comprimento (13 cm a mais que o Mercedes Classe C) e 1.610 kg de peso. Diversos fatores contribuem para a estabilidade acima da média: carroceria rígida, suspensões independentes de alumínio (a traseira é a mesma dos A6 e A8), rodas aro 18” com pneus largos e, claro, a tração Quattro. É a primeira vez no Brasil que o A4 vem de série com tração integral, antes disponível apenas nos esportivos S4 e RS4. O sistema traz um diferencial central Torsen que divide o torque entre os eixos dianteiro e traseiro em 40% e 60%, respectivamente, em condições normais.

Melhor dos mundos

E não é só. Uma das principais novidades do A4 é o Audi Drive Select, recurso que permite alterar o comportamento do carro por meio dos modos Confort, Auto ou Dynamic selecionáveis no console. Conforme a escolha, ele estica mais (ou menos) as marchas, enrijece os amortecedores e altera a resposta da direção, tanto em “peso” quanto na relação, deixando-a mais direta (esportiva) ou indireta (suave). A chuva e o trajeto sinuoso não eram o cenário ideal, mas mesmo assim acionei o modo dinâmico e chamei o A4 para a briga, fazendo as mudanças do câmbio Tiptronic de seis marchas pelas borboletas no volante. O sedã respondeu todas as minhas provocações à altura, sempre com um comportamento exemplar de movimentos da carroceria, resposta dos freios (com discos de 16”) e obediência da direção. E olha que o ESP não deu as caras nem mesmo nas curvas mais fechadas.

Após o trecho mais rápido, a transformação. Acionei o modo confortável e recebi outro carro em troca. O volante ficou mais leve, a suspensão macia e as respostas do motor, suaves. É perfeito para andar na cidade. Ainda assim, devo ressaltar que o A4 ficou menos tolerante a pisos ruins que o anterior; efeito das rodas aro 18”, talvez. Gostou do Drive Select? Eu também. O problema é que ele é opcional e custa caro (R$ 13.600), além de obrigá-lo a levar junto o jogo de rodas aro 18” (mais R$ 2.840).

Há outros mimos que o A4 oferece à parte. Dois deles vieram do Q7: o controlador de velocidade ativo, que freia o carro sozinho, se necessário, e o side assist, que indica a presença de um veículo no ponto cego dos retrovisores, por meio de um led que acende na peça. Empolgar-se muito na escolha dos equipamentos, porém, faz a conta ficar mais salgada. Dos R$ 229 mil iniciais, o preço do A4 V6 salta para R$ 295.460 no carro completo.

Sem aperto

A boa notícia é que o modelo “básico” já vem bem-equipado. Destaque para a tela colorida de 6,5” no painel (que exibe informações do sistema de som e outros) e para o freio de estacionamento eletromecânico, acionado com o dedo. A tela não é sensível ao toque, mas o sistema de áudio tem bluetooth e entrada para iPod. Como opcional, o carro pode vir com um botão no console para ligar o motor, desde que a chave esteja na cabine.

O acabamento segue o padrão Audi, com materiais nobres e montagem de primeira linha. Novidade bem-vinda é o bom espaço para quem vai atrás, ponto fraco do A4 antigo. Com o entre eixos de 2,81 m (apenas 3 cm menor que o do A6), os passageiros do banco traseiro ganharam mais 2,9 cm para esticar as pernas. Parece pouco, mas é a diferença entre viajar com os joelhos encostando (ou não) no banco da frente. As bagagens também vão mais folgadas
Fonte: Auto Esporte