Greve reflete nas vendas da Volks

                                             Leone Farias
do Diário do Grande ABC

A greve na fábrica da Volkswagen de São José dos Pinhais, no Paraná, que completou ontem 33 dias, já afeta as vendas da marca no Grande ABC. Segundo estimativas de concessionários, cerca de 500 carros modelos Fox, produzidos na unidade paranaense, deixaram de ser vendidos em maio na região metropolitana de São Paulo e Baixada Santista. O modelo Fox 1.6 representa cerca de 6% de participação nas vendas da montadora. No mês passado, caiu para 4,2%, como reflexo da greve.

O impacto tende a crescer. Isso porque as revendas autorizadas VW na região ainda contavam com estoques de algumas unidades do Fox 1.0. O modelo Fox 1.6 e o Golf esgotaram na segunda metade do mês passado. Com isso, a avaliação no setor é de que a continuidade da paralisação vai comprometer o desempenho de mercado da montadora em junho.

A gerente Edneia Vedovato, de loja da marca em São Bernardo, cita que já começa a faltar inclusive o Fox 1.0, o que preocupa, já que esse veículo tem maior procura. O mesmo foi relatado em outra revenda, em Santo André. Lojista dessa unidade, que preferiu não ter seu nome identificado, cita que não há como fixar prazo para a entrega do produto e muitos clientes desistem da compra.

Calcula-se que todos os modelos Fox correspondem a 30% do volume vendido de automóveis da marca Volkswagen. No acumulado do ano até maio, essa linha ficou em terceiro no ranking dos carros de passageiros mais comercializados no País, com o total de 48.032 unidades.

PARANÁ – Até agora, deixaram de ser produzidos cerca de 20 mil veículos Fox, CrossFox e Golf, na fábrica situada na região metropolitana de Curitiba. Com preço médio líquido de R$ 40 mil, a empresa já teria deixado de faturar R$ 806 milhões.

O Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba diz que a greve afeta, além dos 3.100 metalúrgicos da Volks, outros 20 mil trabalhadores de empresas terceirizadas e fornecedores.

Assembleia deveria ter sido realizada no início da tarde de ontem, mas foi transferida para hoje, em razão da chuva e por um pedido da direção da montadora para transferir para a tarde reunião que deveria ser realizada pela manhã.

A expectativa era de que nesse encontro fosse apresentada nova proposta que possa ser levada para a votação dos metalúrgicos.

A direção do sindicato disse que agora, após mais de um mês de greve, além dos valores da Participação sobre Lucros e Resultados, precisam ser discutidas outras questões como o pagamento dos dias parados, os dias adicionais pretendidos pela empresa, plano de cargos e salários e já adiantar as conversas sobre o reajuste salarial de setembro.

A PLR é o principal motivo da greve. O sindicato pede R$ 12 mil, com a metade sendo paga imediatamente, enquanto a Volkswagen ofereceu R$ 5.200 na primeira parcela, deixando a segunda para ser discutida posteriormente.

Fonte: Diário do Grande ABC