Honda quer produzir carro híbrido no Brasil em até dois anos

Hibridos da Honda em Piracicaba              Fabricante tem projeto de híbrido flex e busca incentivos do governo.
G1 conferiu o funcionamento do sistema no Insight e no CR-Z.

Priscila Dal Poggetto
Do G1, em Piracicaba (SP)

A Honda planeja produzir em série um carro híbrido no Brasil em até dois anos, revelou o engenheiro Alfredo Guedes nesta sexta-feira (12), quando a marca apresentou à imprensa dois veículos que já utilizam a tecnologia, vendidos no exterior. No país, a fabricação desse tipo de carro, que combina motor a combustão e elétrico, ainda esbarra na burocracia para homologações. Além disso, a montadora japonesa tem realizado muitas conversas com o governo brasileiro em busca de incentivos para esse lançamento. Isso porque a Honda não encara esse tipo de tecnologia como um nicho de mercado.

Não queremos um carro de marketing, então o preço será próximo ao da versão convencional desse modelo”, diz o engenheiro Alfredo Guedes sobre a intenção de ter um híbrido nacional com escala produtiva que justifique a fabricação local.

Empresa lança sistema que aumenta eficiência de elétricos e híbridos Guedes não revela qual automóvel da linha ganhará a tecnologia. No entanto, a possibilidade de ser o New Fit é grande. Até porque sua versão híbrida já foi lançada para o mercado europeu e japonês durante o Salão de Paris. Outro modelo que poderia ganhar a tecnologia é o City, justamente pelo apelo dos sedãs no mercado brasileiro. Porém, em termos de mercado, talvez essa opção não interesse tanto à Honda, por aumentar as chances de o modelo “canibalizar” ainda mais o Civic.

Especulações à parte, o que o engenheiro deixou claro foi que uma das cartas na manga da fabricante japonesa é um projeto de um híbrido flex pronto. Com o conjunto motor elétrico e propulsor a combustão que aceita álcool e gasolina, seria mais fácil argumentar junto ao governo brasileiro, defensor do etanol, pela criação de um plano específico de incentivos a veículos de passeio com a tecnologia.

De acordo com Guedes, como o custo é muito alto, a ajuda do governo por meio de incentivos fiscais é essencial para se ter um preço viável. “Só produziremos esse carro aqui com incentivo”, destaca.

Primeiros passos
Os carros híbridos começaram a chegar ao Brasil apenas neste ano. O primeiro foi o Mercedes-Benz S 400 Hybrid. O próximo lançamento será o Ford Fusion Hybrid, na semana que vem -apresentado a Lula no Salão de SP, o carro fará parte da frota presidencial.

Para se ter uma ideia da defasagem tecnológica do mercado brasileiro nesse sentido, o primeiro modelo híbrido produzido em série, o Toyota Prius, foi lançado no Japão em 1997.

Nesta sexta, o G1 experimentou o CR-Z e o Insight, que estavam no Salão, para avaliar a tecnologia. Os testes aconteceram em circuito fechado de um autódromo em Piracicaba, no interior de São Paulo.

Tanto o Honda Insight quanto o CR-Z possuem o sistema batizado de Integrated Motor Assist (IMA) ou, em português, Motor de Assistência Integrado, que utiliza como principal fonte de energia o motor a gasolina com baixa emissão de poluentes, auxiliado por outro elétrico. É o chamado sistema híbrido paralelo. O propulsor elétrico é carregado por meio da energia cinética convertida em energia elétrica durante frenagens e desacelerações.

Para reduzir ainda mais o consumo de combustível, o conjunto do Insight está associado a uma transmissão de variação contínua (CVT), que tem como uma das características respostas mais rápidas e precisas. O CR-Z é o primeiro híbrido da história equipado com câmbio manual, com caixa de seis velocidades.

Os modelos contam ainda com o sistema start-stop, que desliga o motor quando o carro para, e religa automaticamente, ao pisar no acelerador. Durante a avaliação, foi possível conferir o funcionamento desse sistema. Diferentemente do start-stop de alguns modelos já no mercado, o desenvolvido pela Honda é quase imperceptível. Só é possível perceber que o carro está desligado por causa da ausência de barulho e porque a potência do ar-condicionado diminui
Fonte: G1 Globo Online