Honda, um universo à parte em Manaus

Unidade desenvolve, testa e fabrica motos para Brasil e parte da América

MÁRIO CURCIO, AB | De Manaus AM

Ainda que dependa de um bom número de fornecedores cerca de 140, a fábrica de motos da Honda em Manaus tem uma estrutura bastante verticalizada, que produz até mesmo as próprias rodas de aço estampado ou liga leve, bancos, escapamentos e peças de plástico injetado, se não para todas, certamente para os modelos de maior volume de produção.

Também fica ali a linha de montagem mais azeitada do Brasil, de onde sai uma moto a cada 26 segundos, quase 140 numa hora. Cada uma recebe uma pequena quantidade de combustível e é testada ao fim da linha, roda dianteira imobilizada e a traseira sobre um rolo. Algumas piscadas de farol, vrum vrum, bi bi… e a buzininha com som ardido revela que mais uma moto ficou pronta. Foi dali que saiu a Honda de número 20 milhões fabricada no Brasil ou vigésima milionésima em bom português e para tirar o pó da gramática.

É também dessa mesma linha que sai desde 31 de julho a CG 150 Titan CBS, sigla em inglês para sistema combinado de freios, capaz de encurtar as distâncias de parada e tornar a moto mais segura . O lançamento consumiu R$ 3,4 milhões. Do total, R$ 650 mil foram gastos na adequação da linha, que recebeu equipamentos aéreos responsáveis pelo abastecimento do fluido de freio do CBS.

Essa linha é a número 1 de um total de quarto do setor HDA1 sigla para Honda da Amazônia. As 2 e 3 montam modelos de pequena, media e alta cilindradas. E a 4 também faz as CG 125 e 150, mas num ritmo menor, uma moto a cada 48 segundos.

A autonomia da fábrica de Manaus não vem só da produção de boa parte dos componentes, mas de seu centro de desenvolvimento tecnológico CDT de R$ 20 milhões e 4,2 mil metros quadrados, inaugurado em setembro de 2013. “Ele segue o conceito One Floor e a equipe está distribuída de acordo com o fluxo de desenvolvimento da motocicleta. São mais de 300 pessoas”, afirma o gerente-geral do CDT, Fausto Tanigawa. O desenvolvimento dos componentes pode ocorrer entre a equipe da fábrica e os fornecedores. A estrutura também atende demandas do mercado externo: “O suporte técnico para as outras fábricas da América do Sul é feito por aqui”, recorda Tanigawa.

Os laboratórios de teste têm oito dinamômetros. Parte deles analisa os gases provenientes da queima. Para atender o programa de emissões mais atual, o Promot 4, em vigor desde 1º de janeiro, dois deles simulam longa quilometragem a fim de conferir a estabilidade dos níveis de emissões.

Isso ocorre porque todas as motos produzidas no Brasil desde janeiro precisam não só se enquadrar aos limites do programa, mas mantê-los por 18 mil km para modelos com velocidade final inferior a 130 km/h ou 30 mil km para os que superam os 130 km/h.

“Todas as nossas motos têm de cumprir os 30 mil km”, afirma o engenheiro e supervisor de relações públicas, Alfredo Guedes Júnior. Para não deixar nenhum piloto de testes com o traseiro quadrado, esses ensaios são feitos por robôs, que aceleram, desaceleram e trocam marchas sozinhos.

PRODUÇÃO DE RODAS: 12 MIL AROS/DIA

A Honda não faz apenas a montagem das rodas raiadas. Ela produz também as peças. Recebe as bobinas de aço e as transforma em aros prontos e com tratamento anticorrosivo. A montagem do cubo parte central do conjunto e dos raios é feita manualmente ou com um equipamento automatizado.

Uma máquina faz o alinhamento. “No futuro, toda a montagem dessas rodas será automática”, afirma o gerente-geral de produção, Lourival Barros. Além da cromagem tradicional, a montadora já testa modelos com pintura a pó brilhante ou fosca. O cromo grafite, mais escuro, também está em estudo.

FÁBRICA DENTRO DA FÁBRICA

Em 2010, com o investimento de R$ 90 milhões, a Honda inaugurou em Manaus o setor HDA2 e elevou sua capacidade de 1,5 milhão para 2 milhões de motos por ano. O se
Fonte: Automotive Business