Hyundai Genesis: filho do silêncio


Sedã de luxo chega da Coreia no segundo semestre do ano que vem esbanjando conforto

Carlos Guimarães // Fotos Ivan Carneiro

Desenho do sedã coreano poderia ser mais ousado, seguindo exemplo dos irmãos menores Elantra e Sonata
Não é por acaso que o logo do Hyundai não está cravado na grade dianteira do Genesis, sedã de luxo que chega a partir do segundo semestre do ano que vem com preço ainda não confirmado, mas que deverá ficar em torno de R$ 150 mil. Sabiamente, a fabricante coreana percebeu que está entrando num segmento em que tradição pesa bastante na hora da compra, e não quer cometer o mesmo equívoco da Volkswagen com o fracassado Phaeton, parente do Audi A8 – caso emblemático de um carro com boas qualidades, mas de uma marca de perfil mais popular.

Sem preconceitos, procurei no Genesis algo parecido com o que encontrei quando assumi o volante do novo BMW Série 5 ou do Jaguar XF. Depois de duas voltas rápidas numa pista fechada no interior de São Paulo, ficou apenas a certeza de que os coreanos estão no caminho certo. Em pouco tempo eles chegarão ao mesmo nível dos melhores modelos do segmento. Ainda falta um tempero mais esportivo, tão apreciado pelo público exigente desses sedãs, sempre disposto a pagar caro não apenas pelo máximo de conforto e segurança, mas que valoriza bastante o prazer de dirigir. Faltam trocas de marchas mais rápidas, inclusive nas reduções, além de comandos do câmbio próximos do volante.

O motor 3.8 de 290 cavalos é moderno, tem comandos de válvulas variáveis e bons 36,5 kgfm de torque a 3.500 rpm. Contudo, ficou claro que o câmbio automático de seis marchas não tem pressa, e que sua prioridade é o conforto dos ocupantes, com um rodar silencioso e sem trancos. Não adianta tentar afobadamente ir de quarta para segunda antes de uma curva fechada e, depois de contorná-la, sair rapidamente com os seis cilindros cheios. É preciso diminuir bem a velocidade para conseguir fazer o V6 subir de giro. E se o ponteiro do contagiros chegar próximo do regime de potência máxima (6.000 rpm), a marcha seguinte é engatada, mesmo sem seu mestre (o motorista) mandar.

Interior tem bom nível de sofisticação, mas revestimento tem materiais sintéticos; instumentos são bem iluminados; console é de bom gosto, com botão giratório do sistema multimídia e uma série de outros comandos
A suspensão a ar controlada eletronicamente segue em ritmo parecido com o do câmbio, mantendo o interior sempre confortável e a altura livre do solo constante, independentemente do peso transportado. O sistema pneumático também ajuda na estabilidade e transmite segurança nas curvas, poupando um pouco o trabalho do controle de estabilidade (ESP) e dos pneus Kumho 235/55R 18. Ponto positivo também para a rigidez torcional da carroceria, já que durante a avaliação o carro mostrou-se capaz de absorver imperfeições do piso sem transmitir vibrações para o interior. Aliás, o isolamento acústico com vidros de cinco camadas é digno de elogios. Você vai poder ouvir sua música preferida nos 17 alto-falantes do som Lexicon (marca do mesmo grupo da renomada Infinity) sem ser incomodado pelo barulho do trânsito.

Para estacionar, câmeras e sensores ajudam nas manobras, seguindo o padrão dos concorrentes europeus e japoneses. Basta uma olhada no painel para notar que os coreanos estão chegando perto da tradicional qualidade dos principais rivais de luxo. O sistema multimídia com botão giratório cromado ainda é alemão, mas os demais equipamentos são feitos pela própria Hyundai. A lista é longa e inclui faróis com lâmpada de xenônio direcionais, oito airbags, sistema de partida por botão que dispensa chave, tampa do porta-malas com fechamento elétrico e freio de estacionamento eletrônico, entre outros itens.

Mas o visual do Genesis poderia ter parte da ousadia e personalidade dos irmãos menores Elantra e Sonata. E as rodas cromadas podem agradar o público americano, nem tanto o brasileiro. Esses detalhes devem ser decisivos no momento da escolha.

Fonte: Auto Esporte