Identificação na traseira dos carros não quer dizer mais nada

    BMW Série 3

    No passado, a gente batia o olho na traseira do carro e sabia se ele tinha motor 1.0, 1.6, 2.0 ou 3.0. A cilindrada estava escancarada na identificação. A marca estampava um “1.8” ou um “2000” na lataria e pronto. No segundo caso, sabia-se que o carro em questão tinha sob o capô um motor 2.0, ou 2.000 cm3.

    Com o tempo, algumas marcas começaram a empregar códigos sutis: um BMW 328i era a identificação do Série 3 com motor 2.8, por exemplo.

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    Mas, de uns tempos para cá, tudo mudou. A onda de downsizing, que resultou em adoção de motores cada vez menores, colocou as montadoras diante de um dilema: como vender um carro novo e mais caro equipado com propulsor menor que os modelos antigos (e mais baratos)?

    Quem iria estampar um “1.0” na traseira de um modelo como o Golf, por exemplo?

    Tente explicar as mudanças para o seu avô

    Trocando em miúdos: um motor 1.0 turbo de três cilindros atual é mais potente que um 1.8 aspirado de quatro cilindros do passado. Mas tente explicar isso para o seu avô. Ele nunca mais vai deixar você entrar no Monza dele.

    Por causa disso (da tendência de downsizing, não dos avôs), algumas marcas optaram por eliminar qualquer referência à cilindrada. Foi o caso, por exemplo, da Volkswagen. A marca alemã passou a adotar o torque do motor, em Newton-metro. Foi daí que vieram identificações como “200 TSI”, que a Volkswagen usa no Polo 1.0 turbo.

    Não é muito fácil no início, mas depois a gente se acostuma. Não aprendemos que Santana 2000 era a identificação do Santana 2.0?

    Então, na Volks, ficou assim: 200 TSI, motor 1.0 turbo; 250 TSI, 1.4 turbo; 350 TSI, 2.0, também turbo. O número não é aleatório. Revela o valor do torque, em Newton-metro.

    E por que isso? Porque, com turbo, motores diminuíram de cilindrada e ganharam torque e potência. É isso que importa, na prática.

    Claro até aqui? Pois lamento informar que agora a coisa complica.

    Quando a lógica não tem lógica

    A Audi adotou uma classificação sem a lógica da Volkswagen. Em resumo, você bate o olho nos novos Volkswagen e sabe o torque do motor.

    Aí, bate o olho na traseira do Audi e continua com cara de interrogação. A marca fez uma classificação que leva em conta a potência, mas com números que não têm uma relação direta com ela. Exemplo: os modelos com potência entre 81 e 96 kW (110 cv e 130 cv) levam o número 30 ao lado do nome do veículo. O 35 refere-se aos carros com potência entre 150 cv e 160 cv. E assim por diante, até o número 70, para carros com mais de 530 cv. E o que 70 tem a ver com 530? Nada.

    A BMW também não quis ficar de fora da nova ordem (ou desordem?). Tanto que o novo Série 3 identificado pela sigla 330i não se refere mais ao modelo com motorzão 3.0 de seis cilindros, como antes, mas sim ao sedã equipado com motor 2.0 turbo de quatro cilindros…