Indústria automobilística e a crise

Os dados da indústria automobilística brasileira em 2008, divulgados pela Anfavea, nos ajudam a vislumbrar como o Brasil poderá enfrentar a crise internacional.

A produção, de 3,21 milhões de autoveículos, aumentou 8% em relação ao ano anterior. O licenciamento de veículos – nacionais e importados – alcançou 2,82 milhões unidades, 14,5% a mais que no ano anterior, o que põe o Brasil, provavelmente, como o quinto maior mercado do mundo. A exportação de 727,3 mil unidades mostrou decréscimo de 7,9%. Já a produção de máquinas agrícolas automotrizes atingiu 85 mil unidades, com aumento de 30,7%, enquanto suas vendas no atacado chegaram a 54,4 mil unidades, com crescimento de 42% em relação a 2007.

Esses dados foram a imagem de um país próspero, que somente no quarto trimestre teve de enfrentar dificuldades trazidas pela crise de caráter internacional.

A análise do cenário para a indústria automobilística no Brasil requer que se examinem os dados de dezembro de 2008, quando o setor conseguiu uma redução do IPI e do IOF, até março de 2009, assim como uma melhora na oferta de crédito, sem que a situação ficasse plenamente normalizada. As vendas de veículos no mercado interno cresceram 9,4% em relação ao mês anterior, mas acusam queda de 19,7% em relação a dezembro de 2007. A produção apresentou queda de 47,1% em relação a novembro e de 54,1% em relação ao mesmo mês de 2007. As exportações registraram queda de 7,3% em relação a novembro e de 23,1% ante dezembro de 2007.

A indústria atendeu à demanda utilizando estoques que, em novembro, representavam 56 dias de venda, sem todavia esgotá-los, e que representam agora 36 dias de venda, quando o normal são 28 dias.

O mercado comprador reagiu bem aos incentivos fiscais, mas não se sabe se serão mantidos depois de março.Tudo indica que a demanda interna tenderá a se reduzir diante do aumento do desemprego e enquanto o crédito não atinge o mercado de automóveis de segunda mão. O setor teve grande responsabilidade na queda da produção industrial geral em novembro e não ajudou numa recuperação em dezembro, de modo que isso afetará o PIB do último trimestre de 2008.

A economia brasileira se beneficia de um amplo mercado interno, mas algumas medidas terão de ser tomadas para estimulá-lo, já que teremos grandes dificuldades na exportação.
Fonte: O Estado de São Paulo