Inspeção ambiental reprova 100 mil seminovos em São Paulo

                                             Falta de manutenção básica é apontada como causa.

Mário Curcio, AB

Dados da Controlar revelaram recentemente que 100 mil seminovos foram reprovados em 2010 na inspeção anual de emissões na cidade de São Paulo. Esses veículos (a maioria automóveis) correspondem a 4% dos modelos inspecionados com até dois anos de fabricação. De acordo com especialistas, a causa básica dessas reprovações na Inspeção Veicular Ambiental é a falta de manutenção. “Quase 70% dos veículos não passam pelas revisões de garantia”, afirma o diretor-executivo da Controlar, Eduardo Rosim, referindo-se às visitas obrigatórias à concessionária, muitas vezes para substituição de óleo, filtros e velas.

“Em regra, os donos de automóveis não trocam esses itens. Nem mesmo o lubrificante eles substituem”, afirma Pedro Luiz Scopino, que leciona na Universidade do Mecânico e há 13 anos utiliza analisadores de gases em sua oficina. “Os motivos de reprovação mais comuns são excesso de emissões de monóxido de carbono e de hidrocarbonetos”, diz Scopino, que também já lecionou no Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai). “A troca de velas e do filtro de ar muitas vezes resolvem esses dois problemas”, diz.

O gerente de relações institucionais do Cesvi Brasil, Eduardo Santos, concorda com esse ponto de vista: “Seja pelo valor do serviço ou pela falta dessa cultura, o proprietário deixa de fazer manutenção.” O catalisador também pode ser afetado como consequência dessa negligência: “O núcleo cerâmico (responsável pela conversão dos poluentes em gases inofensivos) pode se fundir por falhas de alimentação e ignição, que tornam a mistura ar-combustível muito pobre ou muito rica”, recorda Carlos Eduardo Moreira, gerente de desenvolvimento da Umicore, maior fornecedora do mercado brasileiro de cerâmicas catalíticas. A empresa fornece o núcleo cerâmico para os fabricantes de sistemas de escape.

Normas discrepantes

Sobre o assunto, o diretor de comissões técnicas da SAE, José Loureiro, lembra que as montadoras submetem seus carros a ensaios de emissão e consumo (normas NBR 6601 e 7024) cujas condições são muito diferentes daquelas em que a Controlar inspeciona os carros (NBR 418). “Por conta disso podem ocorrer problemas durante a medição”, conclui Loureiro.

Fonte: Automotive Business