Jaguar lançará no Brasil novos XKR e XFR em agosto

Mercado de luxo brasileiro resiste à crise e estimula negócios.
Meta é vender neste ano 200 automóveis no país.

Priscila Dal Poggetto
Do G1, em São Paulo

Resistente à crise financeira mundial, o mercado de carros de luxo no Brasil tem se tornada cada vez mais atrativo para a Jaguar. Somente em agosto, a marca inglesa pretende lançar dois produtos no país, os novos XKR e XFR, ambos com motor 5.0 e 510 hp de potência. Sem divulgar detalhes sobre os lançamentos, o presidente da GB Cars – única empresa revendedora da marca no país -, Ivan Fonseca e Silva, garante que existem mais dois modelos para chegar ao país em 2010.

“Mercados como Estados Unidos, Europa e Japão há um tempo se estabilizaram, o que fez com que as marcas de luxo procurassem penetrar em países como China, Rússia e Brasil. Com a crise, todos os mercados sofreram, não nas mesmas proporções, mas o único que não caiu foi o Brasil”, comenta o empresário.

Embora a “saúde” do mercado de luxo brasileiro atraia novos produtos, ainda tem proporção pequena em relação a outros países. Segundo Silva, a média anual de vendas da Jaguar no Brasil é de 200 unidades e esta é a meta também para este ano. Na Rússia o volume anual é de 2 mil carros. “O mercado brasileiro de carros de luxo, com valor acima de R$ 160 mil e sem contar os SUVs, é de 700 unidades vendidas por ano. É muito pequeno”, observa.

E a maior parte desse volume de 700 unidades vai para marcas mais “populares” no segmento, como a Audi, BMW, Mercedes-Benz e Volvo. Juntas, elas venderam nos dois primeiros meses deste ano 1.461 unidades, 30% a mais que no mesmo período de 2008.

Apesar da concorrência, Silva destaca que a Jaguar tem um perfil diferente das outras marcas, pois preza pela exclusividade – em 2008, foram vendidos 65 mil modelos da Jaguar em todo o mundo, número considerado “excelente” pela montadora inglesa. “A Jaguar não quer vender 100 mil unidades, não é esse o objetivo”, ressalta.

E com essa assinatura, o empresário destaca a importância de conquistar o cliente que possui renda para adquirir um Jaguar, mas que não dá tanta importância para a aquisição de um carro de luxo. “É muito difícil o trabalho de marketing neste aspecto, porque não são todos as pessoas com renda de mais de 50 salários mínimos que dão valor ao carro importado”, diz. “Os impostos também prejudicam, pois representam até 60% do valor do carro, ou seja, aqui o modelo chega a custar mais que o dobro do valor do carro lá fora”, acrescenta.

O empresário também destaca que 50% da decisão de compra já foi tomada quando o cliente entra na loja, ou seja, o trabalho para atrair esta pessoa à revendedora é muito importante. “Nossos clientes pegam as informações sobre o carro na internet e sobra pouca coisa para apresentarmos”, afirma.

O perfil do consumidor de modelos Jaguar também é mais restrito em relação aos concorrentes. Segundo Silva, os clientes da marca são normalmente homens, com idade entre 40 anos e 60 anos, profissionais liberais (médicos e advogados), empresários e acionistas de grandes empresas.

A preocupação em equacionar a exclusividade da marca e um volume de vendas satisfatório no Brasil vai de encontro com a meta da Tata Motors – que comprou a marca da Ford em junho do ano passado – em desenvolver ainda mais o potencial da marca.

De acordo com Ivan Fonseca e Silva, a Jaguar foi totalmente renovada após a aquisição. “Estive lá há 45 dias e vi que a empresa voltou ao que era antes de ser comprada pela Ford, que estabeleceu metas globais não apropriadas para o mercado de luxo. Agora, a Jaguar tem total liberdade para traçar seus projetos”, ressalta.

Com a mudança, o empresário afirma que a Jaguar já tem lançamentos “importantes” para os próximos cinco anos. “A sinergia com a Ford foi muito prejudicial, reduziu a sofisticação. Agora a Tata quer reerguer a Jaguar, mas não há objetivo de crescimento de volume de vendas”.

E a retomada revela a ampla visão de negócios do presidente da fabricante indiana de veí
Fonte: G1 Globo Online