Jeep Renegade e Honda HR-V ficam frente a frente pra ver quem mudou menos

    A dupla Jeep Renegade e Honda HR-V estrearam no Brasil em 2015, revolucionando o segmento de utilitários esportivos compactos e pulverizando a hegemonia de mais de uma década do Ford EcoSport. Três anos depois do lançamento, ambos sofreram as primeiras mudanças estéticas e de conteúdo para continuarem competitivos na categoria que vem ficando mais disputada a cada ano.

    Começando pelo até então líder do segmento, o HR-V ganhou mudanças visuais mais contundentes em relação ao rival Renegade. Os para-choques foram redesenhados, os faróis ganharam projetores e luzes diurnas em LED em todas as configurações, a grade frontal cromada ficou maior e os faróis de neblina ovais foram substituídos por um par arredondado. As rodas de liga leve de 17 polegadas também são novas. A traseira agora conta com as lanternas de LED da versão Touring (esta voltará à gama ano que vem com o motor 1.5 turbo do Civic).

    O Renegade foi mais discreto nos retoques. As únicas mudanças universais para todas as versões são a adoção do para-choque dianteiro igual ao das versões a diesel em todas as configurações (com o objetivo de reduzir os custos de produção e proporcionar maior ângulo de ataque), além da nova maçaneta para a abertura da tampa do porta-malas. Nas versões Limited e Trailhawk, o SUV conta com conjunto óptico, faróis de neblina e luzes de rodagem diurna em LED.

    Mesmo com as atualizações, o Renegade é mais “acessível” que o HR-V, que parte de R$ 92.500 sempre com transmissão automática CVT. O Jeep com câmbio automático tem preço inicial de R$ 83.990, mas ainda possui a versão Sport 1.8 flex manual de R$ 78.490. Com essa política de preços, o HR-V não possui uma variante específica para pessoas com deficiência, enquanto o Renegade disponibiliza uma configuração específica para esse público.

















    Chama a atenção a mudança de posicionamento no caso do HR-V, em 2015, quando comparamos os dois modelos, o Honda custava a partir de R$ 71.900 com câmbio manual e R$ 77.400 com a caixa CVT, chegando a R$ 90.700 na versão topo de linha EXL, que hoje custa R$ 108.500. Já o Renegade partia de R$ 71.900 com câmbio manual ou R$ 76.900 com transmissão automática. Considerando a motorização turbodiesel, mais cara, o Renegade Trailhawk, saltou dos R$ 119.900 cobrados em 2015 para salgados R$ 136.990.

    VERSÕES E PREÇOS

    Honda HR-V
    Jeep Renegade
    LX 1.8 flex CVT – R$ 92.500 1.8 flex AT6 (PCD) – R$ 69.990
    EX 1.8 flex CVT – R$ 98.700 Sport 1.8 flex MT5 – R$ 78.490
    Sport 1.8 flex AT6 – R$ 83.990
    EXL 1.8 flex CVT – R$ 108.500 Longitude 1.8 flex AT6 – R$ 96.990
    Limited 1.8 flex AT6 – R$ 103.490

    De lá pra cá, o HR-V seguiu surfando na onda de ser basicamente o único SUV da Honda com volume, uma vez que o WR-V cumpre um papel de entrada nesse segmento e o CR-V, o irmão maior, custa muito e vende pouco. Já o Renegade viu o Compass chegar e dominar a categoria em geral e tomando parte das suas vendas. A categoria ainda recebeu outros concorrentes de peso, como Hyundai Creta e Nissan Kicks – e a tendência é a disputa ficar ainda mais acirrada com a chegada do Volkswagen T-Cross no ano que vem.

    Em termos de propostas, ambos continuam procurando clientes com gostos diferentes. O HR-V tem uma pegada mais esportiva, enquanto o Renegade se inspira no DNA off-road da Jeep.

    A linha 2019 também colocou o Jeep em destaque por conta de sua central multimídia. Com 8,3 polegadas, o equipamento (disponível de série desde a versão Longitude) tem a maior tela da categoria, contando com as conexões Android Auto e Apple CarPlay. O HR-V ganhou uma nova central de 7 polegadas, mas apenas na versão topo de linha, com interface ultrapassada em comparação com a do rival. As variantes de entrada e intermediária do Honda são equipadas com uma central com tela de 5 polegadas.

    O nível de equipamento, olhando para esse segmento específico, fica na média. Como alcançaram um status relevante no mercado, os SUVs poderiam oferecer maior gama de tecnologia, especialmente de assistências de condução.

    Em termos de motorização, ambos praticamente não mudaram. O motor 1.8 flex do Renegade ganhou o variador de fase, que elevou a potência até 139 cv para dar um pouco de ânimo, além do sistema start-stop para conter o consumo de combustível do SUV. Essa melhoria, aliada à recalibração do câmbio automático de seis marchas, deixou o Renegade ligeiramente mais esperto no uso cotidiano.

    O HR-V também manteve a motorização 1.8 flex de até 140 cv. No entanto, houve uma melhoria significativa na linha 2019. O câmbio automático do tipo CVT foi recalibrado para uma condução mais confortável no uso urbano. A transmissão não “segura” mais o giro do motor em altas rotações sem necessidade, garantindo uma condução mais eficiente e confortável. Outra melhoria é o uso de amortecedores com válvulas hidráulicas internas, bem mais eficientes na hora de absorver os impactos das rodas contra o solo. Na buraqueira da cidade, as suspensões não sofrem mais com as batidas secas de fim de curso e na estrada a inclinação da carroceria em curvas é mais progressiva. O comportamento do conjunto melhorou consideravelmente, mas ainda não atingiu o acerto impecável das suspensões do Renegade.

    Mas ambos devem receber modificações no futuro. O Honda dará o primeiro passo já no próximo ano, uma vez que a marca confirmou a chegada do motor 1.5 turbo a gasolina de 173 cv na configuração topo de linha Touring. Já Renegade vai demorar um pouco mais para receber o 1.3 turbo da família Firefly, cuja potência poderá chegar a 180 cv.

    O Jeep segue como a referência da categoria na hora de conciliar um rodar mais confortável em pisos acidentados e ao mesmo tempo controlar o balanço da carroceria em situações mais exigentes, como velocidades de estrada e frenagens mais fortes. O HR-V se sobressai nos espaços interno e de porta-malas mais generosos. Como de costume, ambos seguem bem construídos e com acabamento acima da média.

    Por fim, a dupla segue sendo boas opções dentro do mercado de SUVs compactos. Mas com a chegada iminente de novos concorrentes, Honda e Jeep poderiam ter ousado um pouco mais nessa renovação dos modelos. Com a nova oferta de preços, o HR-V tende a perder um pouco de público, uma vez que todos os concorrentes trabalham abaixo da casa dos R$ 90 mil com versões automáticas.

    TESTE CARSALE-MAUÁ

     
    Renegade 1.8 AT
    HR-V CVT
    0-60 km/h 5,67 e 5,79 segundos (e/g) 5,61 e 5,81 segundos (e/g)
    0-100 km/h 13,22 e 13,77 segundos (e/g) 11,13 e 11,46 segundos (e/g)
    0-120 km/h 18,46 e 19,55 segundos (e/g) 15,34 e 15,70 segundos (e/g)
    Aceleração em 5 segundos 44,76 metros e 55,44 km/h / 43,98 metros e 54,74 km/h (e/g) 40,50 metros e 53,98 km/h / 39,22 metros e 52,25 km/h (e/g)
    Aceleração em 400 metros 18,79 segundos e 121,04 km/h / 19,05 segundos e 118,58 km/h (e/g) 18,07 segundos e 130,52 km/h / 18,28 segundos e 129,26 km/h (e/g)
    Aceleração em 1000 metros 34,54 segundos e 151,37 km/h / 35,17 segundos e 146,45 km/h (e/g) 32,44 segundos e 166,68 km/h / 32,68 segundos e 165,67 km/h (e/g)
    Retomada 40 a 100 km/h 10,63 e 10,90 segundos (e/g) 9,44 e 9,62 segundos (e/g)
    Retomada 80 a 120 km/h 9,98 e 10,68 segundos (e/g) 7,74 e 7,93 segundos (e/g)
    Frenagem 100 a 0 km/h 51,6 metros 49,7 metros
    Consumo cidade 6,5 e 8,3 km/l (e/g) 7,9 e 10,7 km/l (e/g)
    Consumo estrada 11,4 e 14,7 km/l (e/g) 12,4 e 15,3 (e/g)

    Ficha Técnica

     
    Honda HR-V
    Jeep Renegade 1.8 Flex
    Carroceria Monobloco em aço, quatro portas, cinco lugares Monobloco em aço, quatro portas, cinco lugares
    Motor Dianteiro, transversal, injeção multiponto, comando simples de válvulas na admissão no bloco acionado por corrente, flexível Dianteiro, transversal, injeção multiponto, comando simples de válvulas na admissão no bloco acionado por corrente, flexível
    Número de cilindros 4 em linha 4 em linha
    Número de válvulas 16 (quatro por cilindro) 16 (quatro por cilindro)
    Taxa de compressão 10,6:1 12,5:1
    Cilindrada 1.799 cm³ 1.749 cm³
    Potência 139 cv (e) e 140 (g) a 6.300 rpm 139 cv (e) e 135 (g) a 5.750 rpm
    Torque 17,4 kgfm (e) e 17,3 kgfm (g) a 5.000 rpm 19,3 kgfm (e) e 18,8 kgfm (g) a 3.750 rpm
    Transmissão Automática do tipo CVT com simulação de sete marchas Automática com conversor de torque e seis marchas
    Tração Dianteira Dianteira
    Direção Elétrica Elétrica
    Suspensão dianteira Independente McPherson Independente McPherson
    Suspensão traseira Eixo de torção Independente multibraço
    Pneus e rodas dianteiros 215/55 R17, liga leve 17″ 255/55 R18, liga leve 18″
    Freios dianteiros Discos ventilados com ABS e EBD Discos ventilados com ABS e EBD
    Freios traseiros Discos sólidos com ABS e EBD Discos sólidos com ABS e EBD
    Tanque de combustível 51 litros 60 litros
    Volume do porta-malas 465 litros 320 litros
    Altura 1,58 m 1,66 m
    Comprimento 4,29 m 4,23 m
    Largura 1,77 m 1,79 m
    Entre-eixos 2,65 m 2,57 m
    Peso em ordem de marcha 1.276 kg 1.440 kg

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