Kia Soul x Honda Fit: cubos mágicos


Será que o crossover coreano desbanca o queridinho da Honda?

Daniel Messeder // Fotos: Fabio Aro

Formato caixote do Soul (esq.) esconde interior espaçoso; Fit segue desenho mais tradicionalOlhe para o Kia Soul e tente ficar indiferente. Impossível, né? Goste ou não do estilo dele, você tem que admitir: não existe automóvel made in Korea com tanta personalidade. Em geral, as marcas coreanas aproveitam elementos de design de modelos europeus, japoneses e norte-americanos. Mas dessa vez a Kia foi direto à fonte. Trouxe o alemão Peter Schreyer, autor do primeiro Audi TT, para ser o chefe de design da empresa. Assinado por Schreyer, o Soul representa a nova alma da Kia — com o perdão do trocadilho.

Uma das estrelas do Salão do Automóvel de 2008, o Soul foi apresentado junto com um balde de água fria: preço estimado na faixa dos R$ 70 mil. Agora, ele chega com valores bem mais atraentes: de R$ 51.490 a R$ 64.900, dependendo dos equipamentos e do câmbio (manual ou automático). Com proposta urbana, estilo diferenciado e a esse preço, o Soul invade diretamente a seara do Fit. Por isso, escalamos o Honda para dar boas-vindas ao novo imigrante asiático.

Antes de começar, uma dúvida: como pode o Soul vir do outro lado da Terra, recolher 35% de Imposto de Importação e chegar aqui custando menos que os R$ 51.845 cobrados pelo Fit LX produzido no interior de São Paulo? Detalhe: o Kia traz a mais o CD player com entradas USB e para iPod, além dos comandos do sistema de som no volante. É impressão minha ou a Honda anda lucrando muito com o Fit?

De volta ao comparativo, juntamos o Soul EX manual, de R$ 59.900, com o Fit LXL, de R$ 54.635. Além dos itens comuns aos dois, como ar-condicionado, duplo airbag e freios ABS, o Kia traz faróis de neblina, rodas aro 18, rack no teto e câmera de ré. Isso mesmo, engate a ré e uma parte do retrovisor eletrocrômico mostra o que se passa lá atrás. Boa pedida num carro com as colunas traseiras largas, que comprometem a visão em manobras. Os retrovisores laterais, porém, são tão grandes e eficientes quanto os do Fit.

A visibilidade à frente vai agradar a quem gosta de utilitários esportivos. Um EcoSport parou ao lado do Soul, na medida para perceber que o motorista fica na mesma altura. Por sinal, se depender do sucesso do Kia entre os donos de EcoSport, penso que a Ford deve se preocupar. Mas já adianto que, apesar do visual meio jipinho, o Soul não topa nada fora do asfalto. A altura livre do solo é de apenas 16,5 cm, contra 20 cm do Eco.

A posição de dirigir é elevada, mas não perfeita. O volante só ajusta em altura (também em profundidade no Fit) e o encosto tem regulagem por alavanca, contra a roldana mais precisa do Honda. Melhor no Kia é o ajuste de altura do assento, por catraca — no Fit a gente gira outra roldana. Os bancos do modelo coreano têm estampa alegre (isso porque você ainda não viu o interior do porta-luvas, vermelho…), com o nome do carro estampado. Os plásticos são de boa qualidade em ambos, com textura agradável. E o acesso aos comandos é fácil. Falta no Soul o mostrador de consumo médio do Fit.

Em ambos, somente o vidro do motorista tem comando “um toque”, e só ele fica iluminado à noite. Pior para o dono do Kia, que tem de tatear os comandos para achar o botão de trava das portas, que não trancam automaticamente ao rodar. Se falta um pouco de comodidade, sobra espaço nessa dupla. O Honda é notadamente espaçoso, mas, com entre-eixos (2,55 m contra 2,50 m) e altura superiores (1,61 m ante 1,53 m), o Soul deixa seus passageiros ainda mais folgados, além de oferecer fácil acesso à cabine — praticamente não é preciso baixar o corpo para entrar.

Original também por dentro, o Soul tem comandos do som no volante e entrada para iPod no painelNão espere do Kia, no entanto, a mesma versatilidade do rival. Ele apenas rebate o encosto traseiro, enquanto o banco de trás do Fit pode assumir diversas configurações. E o porta-malas do Honda também é maior: 345 contra 279 litros (aferidos). Para amenizar, o Sou
Fonte: Auto Esporte