Mais ajuda a montadoras e autopeças nos EUA

Enquanto alimenta o pacote de ajuda aos bancos norte-americanos e ensaia o coro do buy american como contrapartida da ajuda a setores produtivos, o todo-poderoso presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, terá decisões difíceis a tomar em relação a indústria automobilística até o final de março, quando Chrysler e GM apresentarão planos de recuperação para ter direito a ajuda do Tesouro.

Como no caso dos bancos, a ajuda as duas montadoras de US$ 17,4 bilhões não bastará e já há sinais de novos pedidos de socorro de várias partes do setor automotivo. Afinal, como ficam os segmentos de autopeças e os próprios distribuidores? E o consumidor final?

Embora o recente salão do automóvel de Detroit tenha sugerido a intenção da indústria local mudar sua maneira de pensar, ainda há desconfianças sobre o real interesse em promover investimentos bilionários para desenvolver carros mais eficientes e econômicos, justamente em momento de baixa no custo do petróleo. Não seria mais conveniente a curto prazo resolver os problemas no fluxo de caixa e ganhar tempo na reforma da gestão das operações e reengenharia dos produtos?

Os resultados de janeiro da indústria automobilística norte-americana indicam que a crise de aprofundou, levando a recordes negativos históricos. Com a queda nas encomendas, o setor de autopeças passa a gritar por socorro governamental para evitar dispensas em massa e falências. Por meio de seus sindicatos, o setor pede ajuda de US$ 25 bilhões.

Com relações históricas muitas vezes obscuras com o setor automotivo, Washington terá decisões difíceis na hora de administrar concessões e sabe que a população está de olho na aplicação do dinheiro, até agora destinado prioritariamente a grandes corporações.

Não se espera, de qualquer forma, que os projetos de recuperação da GM e Chrysler sejam recusados, diante da ameaça de um tsunami no setor que causará estragos de monta entre empregados e fornecedores. Segundo a Bloomberg News, a General Motors já prepara o corte de milhares de postos de trabalho apenas para tornar viável seu programa de recuperação.

Fonte: Automotive Business