MAN absorve tombo e tem primeiro prejuízo

 Fabricante tem pequeno ganho de participação e prevê ano difícil
PEDRO KUTNEY, AB
O resultado da MAN Latin America em 2015 foi pior do que as mais pessimistas previsões. Com o mercado brasileiro de caminhões em queda livre de 50% este ano, foi impossível manter o balanço no azul e a empresa registra seu primeiro prejuízo operacional na região em 20 anos, desde quando estabeleceu fábrica em Resende RJ, ainda como Volkswagen Caminhões e Ônibus. Segundo registra o balanço da companhia até setembro último dado disponível, as perdas na América Latina somam € 45 milhões, contra lucro operacional de € 76 milhões nos mesmos nove meses de 2014. “Praticamente todo esse prejuízo se deve ao resultado do Brasil”, reconhece Roberto Cortes, CEO da MAN Latin America. “Em 2014 o ano já tinha sido de queda de 12%. No começo de 2015 já sabíamos que seria ruim, medidas econômicas ortodoxas teriam de ser tomadas pelo governo. Esperávamos talvez um novo pequeno recuo nas vendas, mas nunca imaginamos uma queda de mercado de 50%. Voltamos ao volume de 1999, são 15 anos atrás. Foi muito pior do que nossas piores previsões. O pior é que foi inesperado, só deu para tomar medidas reativas a cada número negativo”, lamenta o executivo. Uma dessas reações foi reduzir o ritmo em Resende ao mínimo possível. “Em outubro negociamos com os trabalhadores a redução de 10% da jornada e dos salários antes mesmo de o governo adotar o PPE Programa de Proteção ao Emprego, que permite reduções temporárias de jornada e salários com parte dos vencimentos dos trabalhadores envolvidos bancado pelo governo. Se soubesse que o ano terminaria assim teria proposto redução maior. Agora já homologamos um pedido de PPE de 20%; não é de 30% porque ainda não estou tão pessimista assim com 2016”, revela Cortes. Para o próximo ano as expectativas mais otimistas são de estabilidade do mercado, o que deve manter o ritmo inalterado da fábrica. “Reconheço que está muito difícil voltar a volumes no Brasil acima de 100 mil caminhões/ano, mas não descarto essa possibilidade se a indefinição política for superada. Se nada mudar e o baixo nível de confiança persistir, 2016 pode ser ainda pior do que 2015, pois caminhão é um bem de capital que precisa justificar o investimento”, avalia Cortes. Na sede da MAN em Munique, Alemanha, onde o CEO está no mínimo uma vez por mês, a avaliação é de que o cenário negativo é passageiro. “O Brasil continua a representar para o grupo uma enorme perspectiva de crescimento. O momento é de preocupação, mas com serenidade, sem pânico.” Cortes relativiza o fim do PSI, financiamento barato do BNDES responsável por cerca de 80% das vendas de caminhões no País. Para ele, o Finame tradicional é um bom substituto, com custo variável de TJLP hoje de 7% ao ano mais a remuneração do banco: “Terá taxas muito parecidas e não depende de subsídio do Tesouro. É bom ter essa definição para o ano. O que estamos pedindo é que a parcela financiável seja aumentada.” Atualmente o Finame financia 50% do valor para grandes empresas e 70% para pequenas e médias, e pode chegar a 90% em ambos os casos com a diferença remunerada pela taxa Selic hoje de 14,25% ao ano. O pleito dos fabricantes junto ao governo é que seja aplicada só a TJLP à linha, com financiamento de ao menos 90% do bem. Com tudo incluído o custo da linha ficaria entre 12% e 14% ao ano, dependendo do cliente. “Isso dá de 2% a 4% acima da inflação atual, o que já é bastante bom”, diz o executivo. RITMO LENTOA fábrica no sul fluminense da MAN trabalha atualmente com apenas um turno e quatro dias por semana. As férias de fim de ano, que normalmente duravam uma semana, foram antecipadas e já começaram esta semana, com volta ao trabalho programada só para 7 de janeiro. O nível de estoque para atendimento do mercado doméstico chega a 40 dias de vendas. Este ano, Cortes informa que Resende produzirá e venderá 24 mil unidades de caminhões e chassis de ônibus, al
Fonte: Automotive Business