Mazda planeja fábrica no México

                                             Objetivo principal é produzir compacto para mercados latino-americanos

Redação AB

A Mazda deve anunciar nesta sexta-feira, 17, planos para uma nova fábrica no México, no Estado de Guanajuato, região central do país, segundo informações obtidas pela agência Reuters. De acordo com uma fonte, a unidade começaria a produzir no segundo semestre de 2013, com capacidade inicial de 50 mil carros por ano.

A intenção é fabricar um modelo compacto, para ser vendido no próprio mercado mexicano e exportado para países sul-americanos – incluindo o Brasil, onde representantes da empresa também estiveram no último ano para levantar a viabilidade de uma planta. As vendas para os Estados Unidos, onde a Mazda já tem fábrica em associação com a Ford, não estão descartadas mas essa não seria a prioridade da planta no México.

A fabricante busca maior presença em mercados emergentes, para diminuir sua vulnerabilidade de concentrar no Japão dois terços da produção, de cerca de 1,2 milhão de veículos por ano. Isso tem sido um problema para a Mazda, que exporta 80% do que produz nas fábricas japonesas, porque com o iene valorizado fica difícil extrair rentabilidade das vendas externas, principalmente quando se trata de modelos compactos de baixo valor agregado, com margens reduzidas. Por isso nesta década as montadoras do Japão intensificaram a busca de outros pontos de produção no mundo.

A planta mexicana seria a quarta unidade industrial da Mazda fora do Japão, que atualmente mantém unidades de produção em associação com a Ford nos Estados Unidos, China e Tailândia. São heranças de quando a Ford era a principal acionista da Mazda – a participação majoritária foi vendida no ano passado, como parte da reestruturação financeira da companhia americana.

Ainda não está claro se a decisão da Mazda em construir uma fábrica no México vai influenciar sua parceria com a Ford na planta de Flat Rock, no Estado americano de Michigan. Na semana passada a Mazda informou que a partir de meados de 2012 não irá mais produzir lá o sedã Mazda6, e que continuaria a estudar o que fazer na unidade – onde também é fabricado o Ford Mustang.

Competitividade mexicana

Já há algum tempo a Mazda considera abrir uma fábrica em um mercado emergente. No ano passado, alguns representantes visitaram o Brasil para verificar a possibilidade de fazer aqui a nova unidade. Mas a marca tem maior intimidade com o mercado mexicano, onde apurou recorde de vendas e aumentou seu share. No mercado brasileiro a Mazda está sem representação já há alguns anos.

A indústria automotiva mexicana está aos poucos reduzindo sua elevada dependência do mercado americano. O México é atualmente o nono maior fabricante de veículos do mundo, com recorde de 2,26 milhões de unidades produzidas em 2010 – crescimento de quase 50% sobre a depressão de 2009. Com o afundamento das vendas nos Estados Unidos, o país mira em outros compradores, como o Brasil, com o qual mantém acordo de livre comércio de automóveis, sem aplicação de impostos de importação. Com isso, tem atraído novos investimentos de fabricantes globais.

A Mazda deve ter considerado esse fator, já que o custo de produção do México equivale a 75% do Brasil, segundo recente levantamento da consultoria PricewaterhouseCoopers. Assim é mais vantajoso fabricar no México e exportar de lá para o mercado brasileiro, o maior da América Latina. Outra fabricante japonesa, a Nissan, adotou estratégia parecida: vai importar de sua fábrica mexicana o compacto March, que antes cogitava fazer no Brasil. É mais um dos muitos sinais que mostram a perda acelerada de competitividade do País nos últimos anos.

Fonte: Automotive Business