Mexicano diversifica sedãs V6

Nova versão do Ford Fusion aproveita “buraco” de quase R$ 100 mil que há entre Hyundai Azera e VW Passat

Rafaela Borges – O Estado de S.Paulo

Quando a Ford decidiu trazer a versão V6 do sedã mexicano Fusion ao Brasil, há mais de dois anos, ela não contava com o fator Azera. O sul-coreano da Hyundai, cuja tabela parte de R$ 75.900, veio para o País em janeiro do ano passado com preço menor que o sugerido próximo ao do quatro-cilindros do Fusion, R$ 83.620 (confira no pé desta página a avaliação da nova geração do sedã de entrada, que começa a chegar às concessionárias em duas semanas).

“Nossa estratégia é não brigar por preço com nenhum sedã que já está à venda no mercado brasileiro”, diz o gerente de Marketing da Ford, Antonio Baltar, sobre o valor sugerido para o Fusion V6: R$ 99.900.

Ele chega às revendas junto do quatro-cilindros. “Como o carro vem do México, é isento de imposto de importação. Então podemos vendê-lo com muita tecnologia, coisa que só é oferecida no (Volkswagen) Passat, o mais caro do segmento (custa R$ 70 mil a mais que o Ford e vendeu 35 unidades de janeiro a março deste ano).”

Com a chegada do Fusion V6, o segmento amplia a diversidade de preços. Logo acima do Ford e do Azera (atual líder da categoria) está o segundo mais vendido, o australiano Chevrolet Omega, a R$ 122.400. Depois deles vêm os modelos que custam mais de R$ 140 mil (confira na tabela acima).

“A estratégia de posicionar o Fusion V6 por R$ 100 mil é boa. Afinal, a Ford é uma marca prestigiada”, diz o consultor Paulo Roberto Garbossa, da ADK. “Mas nessa faixa, R$ 10 mil ou R$ 20 mil não fazem muita diferença ao cliente, que decidirá que carro comprar por causa de peculiaridades como estilo, dirigibilidade e espaço.”

O Fusion não fica devendo aos sedãs europeus e japoneses em nenhum aspecto. Tem comprimento, entre-eixos e porta-malas compatíveis com os da maioria. E há mais equipamentos que nos rivais, com exceção do Passat: só o Ford e o Volkswagen têm tração nas quatro rodas, por exemplo.

“Podemos fazer um volume adicional ao atual, que é de mil unidades mensais do quatro-cilindros. E a nova versão vem para ser líder do segmento V6”, afirma Baltar.

O MISTÉRIO

O Azera paga imposto de importação de 35%. Mesmo assim, ele é cerca de R$ 25 mil mais em conta que o Fusion V6. Qual seria o mistério do preço do Hyundai? “A composição do valor do veículo tem muitas variáveis. Delas, é mais provável que a importadora (Caoa) esteja trabalhando com menor margem de lucro”, diz Garbossa. “Em vez de ganhar R$ 10 mil vendendo uma unidade, consegue o mesmo com dez, ou 100.”

Segundo o consultor, com isso a Hyundai fica mais conhecida no mercado brasileiro. “Além disso, há mais movimento nas concessionárias e lucro com revisões e pós-venda.”
Fonte: O Estado de São Paulo