Mitsubishi Lancer Sportback Ralliart: clássico em formação

Mitsubishi Lancer Raliart Sportback:
Como anda esse raro hatch esportivo com motor de 240 cavalos

Jason Cammisa, The New York Times Symdicate

De tempos em tempos, aparece um carro que se mostra claramente como um futuro clássico devido à virtude pura de sua raridade. É o caso do Mitsubishi Lancer Ralliart Sportback cujo nome é tão longo que nós ficaremos sem tinta se continuarmos a usá-lo por extenso. Então, pelo bem da economia de preciosos recursos naturais, vamos chamá-lo de LaSpRa.

Um sorridente manobrista o chamou de “um carro muito bacana”, mas isso aconteceu no estacionamento de uma empresa de contabilidade – e praticamente qualquer coisa é mais bacana do que os sedãs beges que todos aqueles contadores dirigem. Mas um cara qualquer passou olhando para a traseira bulbosa e perguntou, “Credo, a Mitsubishi realmente pretende vender essa coisa?” Essa doeu.

Visto de traseira esse Mitsubishi pode parecer meio estranho, mas os 240 cavalos de potência compensam a estranhezaLeia mais

De qualquer forma, a Mitsubishi pretende. E aqui está o ponto fraco: o LaSpRa é um hatchback ligeiramente estranho na aparência, irmão do muito atraente Lancer sedã. A parte do “Ralliart” significa que estamos falando da versão rápida: um motor turbo, de quatro cilindros, de baixa compressão (9.0:1) e alta pressão (17,9 psi) que produz 240 cavalos mora sob o capô e envia sua potência ao mesmo sistema de tração integral controlado por computador usado na geração anterior do Lancer Evolution. O motor em si é uma versão daquele que equipa o atual Evolution, feito em maior parte de alumínio, equipado com um turbo simples em vez do compressor duplo encontrado no Lancer mais ligeiro.

A instrumentação deixa clara a vocação esportiva…O LaSpRa sai de fábrica apenas com a transmissão de seis marchas e embreagem dupla sobre a qual reclamamos no Evo, com quinta e sexta marchas ligeiramente mais longas para uma direção mais silenciosa e econômica. Ele sofre da mesma relutância em acelerar forte, especialmente em subidas, em que pisar fundo resulta em 3.000 rpm de embreagem patinando e quase mais nada até que o turbo preguiçoso entre em ação. A caixa de marchas então se redime com trocas praticamente imperceptíveis a meia rotação que acontecem em uns 14 bilionésimos de segundo após pressionar as borboletas de magnésio na coluna de direção.

Os bancos Recaro opcionais são incrivelmente confortáveis e aconchegantes, isso se você por acaso couber neles sem precisar de regulagens, porque eles não são realmente reguláveis. Os assentos traseiros são mais flexíveis, dobrando-se para frente em um gracioso movimento e liberando uma enorme área de carga digna de um utilitário esportivo – carga esta que, devido à direção rápida e comunicativa, provavelmente acabará voando pela cabine enquanto você faz curvas em alta velocidade.

Infelizmente, quando vimos o preço, algumas obscenidades também voaram pela cabine. Nosso carro de testes estava bem equipado, mas, como o Evolution, ele parece ter sido colocado em uma categoria de preço acima da sua. Seu chocante preço de 33 mil dólares nos Estados Unidos (em torno de 61 mil reais) na configuração restada é suficiente para garantir que esse hatch ligeiro, como seu irmão Evolution, seja um carro raro. Vamos chamá-lo de um clássico em formação.

Fonte: Auto Esporte