Montadoras alemãs invertem estratégias no País


BMW simplifica modelos para ter opções mais acessíveis que Audi e Mercedes

Rafaela Borges, de O Estado de S. Paulo

Audi também lançou nova versão do A3 com duas portas e teto solar menor, por R$ 110 mil
SÃO PAULO – As marcas de luxo alemãs estão mudando suas estratégias no Brasil. A Audi, que tinha os carros mais baratos, está com tabelas superiores às da BMW e semelhantes às da Mercedes-Benz. E, segundo analistas de mercado, as alterações podem inverter a percepção que o consumidor tem em relação à exclusividade de cada uma.

“Mantivemos os preços. As concorrentes os reduziram”, diz o presidente da Audi, Paulo Kakinoff. “Não haverá reposicionamento em nossos carros agora.” Está chegando às lojas um A3 por R$ 110 mil. Ele traz o mesmo motor 2.0 de 200 cv do A3 Sportback, mas é R$ 10 mil mais barato por ter só duas portas e um teto solar mais simples. De resto, os equipamentos são iguais.

Já a BMW tem sido agressiva no reposicionamento de preços. No início do ano baixou a tabela do 120i em 22% (para R$ 118 mil). Em seguida, trouxe uma nova opção de entrada, a 118i, que tem o mesmo motor 2.0, embora “menor” em 20 cv, e com menos equipamentos que os do 120i. E há poucas semanas o 320i ganhou versão mais em conta.

Tabelado em R$ 109.500, o sedã menos equipado que a configuração de R$ 129 mil. A estratégia compensa a falta de novidades relevantes da BMW neste ano. A marca mira clientes de Honda Accord e Ford Fusion, por exemplo.

O presidente da BMW, Hening Dornbusch, diz que houve concentração de clientes de luxo em carros com preços em torno de R$ 100 mil após a queda do IPI, no início do ano. “Eles eram 40% e agora são 70%.” O consultor Arnaldo Brazil, da Prime Action, afirma que a queda do dólar e o aumento do poder aquisitivo do brasileiro também contribuíram para esse crescimento.

“Não estamos mudando nossa imagem, já que não há grandes intervalos de preços entre os produtos”, conta Dornbusch. Mas analistas de mercado acreditam que há fatores que podem alterar a percepção do consumidor. Segundo os especialistas, o 320i mais caro terá maior desvalorização por causa da nova versão de entrada.

Há também o fator exclusividade. “Esse é o pilar do segmento de luxo”, diz Brazil. “O que não pode acontecer é alguém que nunca pôde ser cliente da marca achar que pode comprar um BMW agora. Isso acabaria com sua aura de ‘grife’ exclusiva.” Para o consultor, anúncios tendo preço “baixo” e condições de financiamento como mote causariam esse efeito. “Um discreto serviço de telemarketing com clientes potenciais seria o ideal.”

Os números de vendas do BMW estão crescendo. Segundo fontes, dados preliminares indicam que neste mês o Série 3 somará cerca de 250 unidades. O volume será semelhante ao do Mercedes Classe C, líder do segmento no País.

A Mercedes também busca novos clientes, mas de forma menos agressiva. Neste ano, lançou o B170 (agora B180) por R$ 99.800. Segundo informações da marca, o carro trouxe consumidores, mas é baseado na minivan Classe B, que tinha vendas reduzidas. “Se o cliente paga mais, quer exclusividade”, diz um porta-voz da empresa. Por isso, não haverá reposicionamento nos modelos que concorrem com Audi e BMW, como o Classe C.

Momentos distintos

Após o fim da parceria com o Grupo Senna, em 2006, a Audi começou a perder prestígio e passou a investir no preço menor que os das rivais. Agora, a marca mudou de estratégia.

Segundo consultores, a Audi voltou a trabalhar a imagem de sofisticação. Já BMW e Mercedes, mais tradicionais, podem se aventurar em segmentos mais acessíveis.

Fonte: O Estrado de São Paulo