Montadoras chinesas traçam planos para fábricas no Mercosul


GIULIANA VALLONE
enviada especial a Pequim

Até 2011, sete montadoras chinesas estarão no Brasil: Great Wall, Chery, Jinbei, Hafei, JAC, Chana e Lifan. Algumas delas já exportam seus modelos para o país atualmente, outras devem chegar nos próximos meses. A JAC, que virá com o empresário Sérgio Habib, será a última, e deve chegar por aqui no primeiro trimestre do ano que vem. Para a maioria dessas companhias, o início das vendas no país é apenas o começo de uma estratégia de longo prazo traçada para o mercado brasileiro.

O plano inclui a construção de fábricas no Brasil ou em outros países do Mercosul para reduzir os custos de importação dos modelos para o mercado brasileiro, que hoje é de 35% para um veículo pronto. “A ideia é começar como distribuidor e depois produzir”, afirma Steven Wang, diretor de marketing da Great Wall.

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Três modelos da montadora chegam ao Brasil em outubro: o SUV Hover, a picape Wringle e o utilitário Coolbear. Os veículos serão trazidos pela importadora CN Auto, que atualmente importa as minivans Towner e Topic, da Hafei e da Jinbei, respectivamente.

“O carro sai da China barato, em US$ 10 mil, mas chega ao Brasil três vezes mais caro que isso. Então a gente perde competitividade”, diz Wang. O modelo de instalação de uma fábrica no país seria o CKD (Completely Knock-Down), o mesmo adotado em outras plantas de montadoras chinesas no exterior.

A Chery, que trará ao Brasil os carros Face, Cielo, QQ e o sedã G5 até 2011, também considera a construção de uma fábrica no Brasil nos próximos anos, de onde exportaria para o Mercosul.

Além disso, o Brilliance Group, do qual faz parte a Jinbei, quer trazer para o país nos próximos dois anos sua marca de passeio Brilliance, também pela CN Auto, e já considera a possibilidade de construir uma fábrica na América Latina.

O Brasil, porém, não é candidato a receber a planta, por conta do custo maior do que em outros países. “Uma fábrica CKD na região é o nosso próximo passo, mas não no Brasil. Embora o mercado brasileiro seja estratégico para a companhia”, afirma Yongjing Yang, diretor-geral da montadora. Neste sentido, o Uruguai desponta como opção viável.

O país vizinho foi a opção da Effa Motors, também importadora de veículos Hafei, para produzir os carros da Lifan que chegarão ao mercado brasileiro em junho. A fábrica, que consumiu investimentos de US$ 6,5 milhões e entrou em funcionamento neste mês, é de propriedade da Effa, que comprou os direitos para produzir os carros da montadora chinesa na América Latina.

Na planta, serão produzidos os modelos hatch 320 e sedã 620 e 85% dos veículos fabricados virão para o mercado brasileiro. A capacidade de produção da instalação será inicialmente de 5.000 veículos por ano.

Para Sérgio Habib, que trará quatro modelos de passeio da JAC para o país no ano que vem, porém, a implementação de uma planta CKD no Brasil não é uma opção viável. “A CKD tira toda a competitividade da indústria chinesa, que é o grande diferencial desses carros. A grande vantagem competitiva da China é o custo de produção”, diz, citando que os custos de importação das peças do veículo para montá-lo no Brasil é de 18%, redução de 12 pontos percentuais sobre o imposto do veículo montado, o que, para ele, não justifica a operação.

A jornalista viajou a convite da CN Auto.

Fonte: Folha Online