Montadoras mostram na França carros que virão para o Brasil


Fabricantes apresentarão estratégias no Salão do Automóvel de São Paulo.

Andrei Netto, para a Agência Estado

A 110ª edição do Salão do Automóvel de Paris, o evento que abre as portas neste sábado e marca a retomada internacional da indústria automotiva após dois anos de crise financeira, prejuízos bilionários, fusões, aquisições e recessão no mercado, também serve de prévia de outra exposição do gênero: o 26.º Salão do Automóvel de São Paulo.

Na capital francesa, executivos das filiais brasileiras tentam esconder o jogo, ou revelam a conta-gotas os produtos que lançarão em outubro no Brasil.

A previsão de lançamentos começam pela Volkswagen. Segundo admite a montadora, pelo menos três modelos expostos em Paris deverão rodar nas ruas brasileiras depois de serem apresentados no Salão de São Paulo. São eles o Passat Sedan, um dos clássicos da indústria alemã, apresentado em première em Paris, o sedã Jetta e a picape Touareg. O problema: nenhum dos três modelos será fabricado no Brasil. Eles serão importados e logo suas perspectivas de preços – não reveladas – são bem superiores aos praticados na Europa. Nas melhores promoções, uma Touareg não sai por menos de € 33 mil na França – ou R$ 76 mil.

Ainda entre as líderes do mercado, a Renault, quinta colocada, confirmou ontem a intenção de trazer para o Brasil dois de seus novos modelos, e ambos com fabricação local. O primeiro é o sedã top de linha Fluence, que na Europa se destaca por dispor, entre seus opcionais, de uma linha de motores elétricos. Na França, essa versão será vendida a € 21,3 mil. No Brasil, a opção será diferente. Apostando na tecnologia flex, e não nos carros elétricos – como acontece na matriz -, a Renault vai fazer uma versão com motores a combustão. A versão dos propulsores não foi revelada. “Vocês verão no Salão de São Paulo”, prometeu ontem Jean-Michel Jalinier, diretor-presidente da Renault Brasil.

Outro novo modelo da montadora francesa será o Duster, que no Brasil concorrerá no segmento da Ford Ecosport. Veículo produzido na Europa pela Dacia e vendido a partir de € 11,9 mil, o Duster seguirá a lógica bem sucedida do Sandero: transformar um carro low cost europeu em um objeto de desejo no Brasil, onde adotará a bandeira Renault. Para tanto, a montadora se esforça para apresentá-lo como um autêntico projeto brasileiro.

Outro grupo que apresenta na França modelos que rodarão no Brasil em um futuro breve é a PSA Peugeot Citroën. Em plena transformação de linhas na Europa, as duas montadoras levarão para o são brasileiro um toque refinado. Peugeot vem com o sedã de luxo 508 – que em sua versão original oferece a opção de motor híbrido, além de uma máquina superesportiva: o RCZ, que muitos chamarão de versão – ou cópia – francesa do alemão Audi TT.

Já Citroën começa a reformar sua linha importando uma família de veículos recém lançada na Europa: a DS. Em São Paulo, será possível conferir o cupê DS3 e seu irmão maior, o DS4, dois sucessos de venda na França, com filas de espera de até dois meses. “Não queremos fazer o apelo do racional, só do carro popular. Queremos vender objetos do desejo”, explicou o presidente da Citroën Brasil, Ivan Segal.

Suspense

Dentre os líderes, Fiat, General Motors e Ford ou guardam segredos a sete chaves, ou estão mais tímidas. No lado italiano, permanece o suspense em torno da chegada ao Brasil do Bravo, o cupê médio que faz sucesso na Itália, mas enfrenta dificuldades em outros países da Europa. No mais, estão em exposição em Paris o 500, sucesso absoluto, e o Grand Punto, cujas vendas vão bem, mas a revenda nem sempre tem boa aceitação.

Do lado norte-americano, o segredo é total. Na Europa, o grupo usa a marca Opel, e assim disfarça ainda melhor suas perspectivas para o mercado brasileiro. Na Ford, o discurso é ainda mais claro: “Nenhum veículo daqui vai para o Brasil”, garante Rogélio Golfarb diretor de assuntos corporativos da montadora.

Fonte: Automotive Business