Montadoras se reinventam na Europa para atender novo consumidor

 Salão do Automóvel de Frankfurt mostra que a crise fez fabricantes mudarem de estratégia

GIOVANNA RIATO, AB | De Frankfurt, Alemanha

Crise é oportunidade. A frase clichê, presente em tantos discursos motivacionais, parece ganhar significado real na indústria automotiva europeia. No Salão do Automóvel de Frankfurt, na Alemanha, que começou a receber a imprensa na terça-feira, 10, as fabricantes de veículos se mostram reinventadas. Com caminhos e estratégias diferentes, todas têm o mesmo objetivo: atrair novamente o interesse dos consumidores da região, abalado pela instabilidade econômica.

No primeiro semestre deste ano os emplacamentos de carros de passeio no continente tiveram decréscimo de 6,6% na comparação com igual intervalo de 2012, para 6,2 milhões de unidades. Dados da Acea, associação dos fabricantes de veículos da região, mostram que até mesmo o mercado alemão, que se mantinha vigoroso, encolheu 8,1% no período.

É curioso notar que, mesmo diante do cenário desfavorável, grande parte das montadoras mantém o vigor e o empenho no desenvolvimento de produtos e tecnologias para mostrar ao consumidor que os automóveis podem se adaptar à novas condições sociais e financeiras. A 65ª edição Salão de Frankfurt, o IAA, sustenta a tradicional e impressionante grandiosidade, com mais de 230 mil metros quadrados de exposição, área cerca de 2% menor do que a do evento anterior, que aconteceu em 2011 e atraiu quase 930 mil visitantes.

INOVAÇÃO

Apesar da conjuntura, não faltam ferramentas para chegar perto de 1 milhão de visitantes este ano novamente. As montadoras aproveitam o evento para fazer suas apostas em tecnologia e sustentabilidade. Nesses quesitos, as alemãs fazem as honras da casa e exibem os produtos mais surpreendentes.

Na BMW, o destaque ficou para a família de carros i, com o elétrico hatchback i3 e o esportivo híbrido plug-in i8. “O aumento da eficiência energética dos veículos é uma evolução natural, mas isso que estamos apresentando é revolução”, ressaltou o CEO do grupo, Norbert Reithofer, durante apresentação dos produtos. Os modelos adotam soluções inovadoras, como carroceria de fibra de carbono. O visual futurista, principalmente do i8, pode fazer com que o carro seja confundido com um conceito, mas os automóveis chegarão ao mercado, inclusive ao brasileiro. Para o executivo, os lançamentos indicam o futuro da mobilidade.

Entre as novidade que a Mercedes-Benz exibe no salão estão três versões do luxuoso Classe S. A primeira é o S 500 Plug-in Hybrid, que, segundo a marca, precisa de apenas três litros de combustível para rodar 100 quilômetros. Outro lançamento é o S63 AMG, que prioriza a performance. A maior inovação, no entanto, é o Classe S Intelligent Drive, carro de grande autonomia, testado em rota de 100 quilômetros sem motorista. Esse sim ainda em fase de protótipo.

A companhia mostrou ainda o utilitário esportivo GLA, que segundo o presidente da marca para o Brasil, Philipp Schiemer, tem grandes chances de ser produzido nacionalmente leia aqui. “Complementamos nossa linha com esse modelo. Vemos grande potencial no mercado global de compactos”, avalia Dieter Zetsche, CEO da Mercedes-Benz.

Mesmo sem mirar o segmento premium, a Volkswagen também apresenta inovações, como as versões elétricas do Golf e do Up!. A empresa destacou que este é o ano da eletromobilidade para o grupo, com lançamentos importantes previstos.

Há quem entre na disputa pelo cliente com a tradicional estratégia de oferecer o menor preço. Esse é o caso da Dacia, que aproveita a depressão das vendas para se internacionalizar e, mesmo com o mercado apontando para baixo, ampliou seus negócios em 16% este ano. A marca do Grupo Renault, que tinha atuação restrita ao mercado romeno e alguns países do Leste Europeu e norte da África, avança em outras regiões, como a
Fonte: Automotive Business