Motores competitivos


Investimentos pesados foram e estão sendo feitos pelos quatro grandes fabricantes de veículos

Texto: Fernando Calmon

As exportações brasileiras de veículos passam por dificuldades, embora continuem a se recuperar nos próximos meses em razão da boa reação dos mercados de países vizinhos, em especial a Argentina. As causas vão além da valorização do real frente a outras moedas. Há razões estruturais de peso como o “custo Brasil” e o preço da mão de obra. Para manter preços atraentes aos consumidores é necessário escala produtiva e manter nível de exportação em torno de um terço da produção, cenário do qual o País parece distante nos próximos anos.

Motores, no entanto, são a exceção. Investimentos pesados foram e estão sendo feitos pelos quatro grandes fabricantes de veículos. Ford e Fiat engajaram-se em planos firmes de exportação. Os italianos compraram da Chrysler, em 2008, a fábrica Tritec, localizada em Campo Largo (PR), modernizaram as instalações, desenvolveram dois motores e pretendem exportar 40% do total previsto de 400.000 unidades/ano até 2014. No total, injetaram US$ 250 milhões.

A Fiat Powertrain Technologies (FPT) tem planos ambiciosos para os motores E.TorQ de 1,6 e 1,8 litro (ambos de 16 válvulas), inclusive equipar produtos de outros fabricantes nos EUA (Chrysler), Europa e Ásia. Alfredo Altavilla, presidente mundial da FPT, veio ao Brasil para inaugurar as instalações. Nas entrelinhas de seu discurso deixou escapar que motores de dois cilindros e caixas de câmbio automatizadas de duas embreagens a seco – dois dos produtos mais recentes da empresa – estão previstos para a fábrica paranaense. Antes havia apenas especulações.

Os motores E.TorQ receberam vários aperfeiçoamentos e substituirão todos os de 1,8 l, hoje comprados da GMB, até o final do ano. Começam já no Punto, conforma a coluna antecipou, com ganhos substantivos em suavidade, desempenho e economia de combustível. O de 1,6 l tem 117 cv (etanol) e o de 1,8 l, 132 cv. Sem dúvida o melhor equilíbrio entre preço e performance é o primeiro. Este se mostra sensivelmente mais adequado do que o Fire (1,4 l e apenas 86 cv) para lidar com os quase 1.200 kg do hatch compacto premium da Fiat.

Engenheiros brasileiros e italianos apuraram-se para obter 16,8 kgf•m de torque distribuídos em ampla faixa de utilização. O consumo médio, com gasolina, também se destaca: 12 km/l (cidade) e 16,1 km/l (estrada). Porém, a taxa de compressão conservadora deixou referências sem brilho para o etanol: 8,1 km/l e 10,8 km/l, respectivamente. O motor de 1,8 l (na realidade 1,74 l) apresenta robustos 18,9 kgf•m de torque e vai um pouco melhor em consumo relativo: 11,8 e 15,9 km/l (gasolina); 7,8 e 10,6 (etanol).

O câmbio manual robotizado Dualogic, opcional apenas no motor de maior cilindrada inicialmente, mostrou evolução marcante com o E.TorQ. Trocas de marchas ascendentes e descendentes são bem próximas às de um câmbio automático padrão, considerando que a Fiat não oferece essa escolha.
Grande benefício também para o Linea ao ter a unidade de 1,84 l atual substituída pela de 1,74 l. Fontes na Argentina, onde o propulsor é fabricado, informam que a produção está direcionada agora apenas ao mercado de reposição, indicando que nas próximas semanas chegará o novo motor brasileiro.

Fonte: WebMotors