“Não há dúvidas que haverá demissões”, afirma Butori

Gazeta Mercantil | 18/11/2008 – 13h35

O Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças) vai concluir na próxima semana o levantamento sobre os efeitos da crise na indústria de autopeças. Esse setor que teve que antecipar investimentos, utilizar o terceiro turno para atender a grande demanda da indústria automobilística enfrenta agora a ociosidade nas suas fábricas.
Com as férias coletivas anunciadas pelas montadoras, as fabricantes de autopeças já começaram a ajustar a produção ao volume de pedidos. Além de cortar as horas extras e os trabalhos aos sábados, as empresas também estão suspendendo a produção em algumas linhas. O presidente do Sindipeças, Paulo Butori, disse que toda a cadeia de produção de veículos já está sentindo os efeitos da crise mundial. “Não há dúvidas que haverá demissões na indústria de autopeças”, disse Butori.

O ministro do desenvolvimento, indústria e comércio exterior, Miguel Jorge, por sua vez, afirmou: “As férias coletivas são uma saída razoável para as montadoras ajustar estoque”, comentou durante a abertura da Conferência Internacional sobre Biocombustíveis.

Questionado sobre as perspectivas para a indústria automobilística, que teve em outubro a primeira queda nas vendas depois de longo período de alto consumo interno, Miguel Jorge falou que com a liberação de recursos para os bancos das montadoras a situação do financiamento voltou a se normalizar. “Precisamos saber agora qual o impacto que os recursos terão no setor. Só teremos isso claramente daqui a três ou quatro semanas”.

O ministro destacou que, apesar da crise, as montadoras não suspenderam seus investimentos no País. “A Toyota mantém seu projeto de construir nova fábrica em São Paulo e, recentemente, recebemos um pedido de empréstimo de uma montadora que pretende dobrar sua produção de veículos”, afirmou Miguel Jorge, sem revelar o nome da empresa.

Para o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos (Anfavea), Jackson Schneider, neste mês e em dezembro o setor automotivo deverá ter os reflexos da oferta de crédito. “As montadoras já estão fazendo intensas promoções, dando descontos e oferecendo taxas de juros mais vantajosas. Há uma expectativa que teremos um bom Natal”, destacou o presidente da Anfavea.

Schneider disse que, superado o momento de receio que atinge hoje a indústria automobilística, há condições de o setor automotivo crescer em 2009. “Mas num patamar menor, de pelo menos um dígito”.

Ao se referir aos 7 milhões de carros flex fuel já produzidos pelas montadoras, Schneider disse que o etanol continua ganhando terreno no País e desperta interesse em todo o mundo. O ministro das Minas e Energia, Edison Lobão, falou que os 7 milhões de carros flex mostram que a iniciativa de produzir etanol nos anos 70, para enfrentar a crise do petróleo, foi uma decisão acertada. “Nenhum país do mundo tem uma matriz energética tão limpa e renovável quanto o Brasil”, disse.

Para a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, que participou do evento representando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a marca de 7 milhões de carros flex é uma conquista pois permitiu a produção de cana para uso energético.

Fonte: Webtranspo