Nissan tira a Renault do vermelho em 2015

 Contribuição de € 1,9 bilhão da parceira eleva resultados e lucro líquidoREDAÇÃO ABNão fosse pela Nissan, a Renault encerraria 2015 no vermelho. No fechamento do balanço financeiro, a montadora francesa contabilizou prejuízo líquido de € 221 milhões, embora menor que o do ando anterior, quando houve perdas de € 333 milhões. Por outro lado, a parceira de aliança contribuiu com € 1,97 bilhão, o que no final, descontadas todas as despesas e taxas operacionais, resultou em um lucro líquido de € 2,96 para o grupo no fechamento do exercício fiscal, contra ganhos de € 1,99 milhões no ano anterior, informa em comunicado divulgado na sexta-feira, 12. Embora a Renault tenha somado um faturamento de € 45,3 bilhões no ano, o que representou aumento de 4,2% sobre o resultado do ano anterior, a companhia computou um resultado negativo de € 199 milhões por causa de despesas, embora tenha sido bem menor que os custos de 2014, quando somaram € 504 milhões. No relatório, a empresa destaca os custos de reestruturação relacionados à implementação do contrato de competitividade na França, ainda em curso, além de reestruturações em alguns outros países. O lucro operacional quase dobrou ao crescer 91,9% em 2015, para € 2,12 milhões. A margem operacional da companhia ficou em € 2,3 milhões, 5,1% do faturamento contra fatia de 3,9% em 2014 e representou alta de 44,2% no comparativo anual. A divisão automotiva atingiu faturamento de € 43,1 bilhões, incremento de 10,9%. Sua margem operacional fechou em € 1,49 milhão, crescimento expressivo de 74,4% sobre o resultado do ano anterior e fatia de 3,5% do faturamento contra os 2,2% de um ano antes. O relatório destaca que estes resultados se devem ao crescimento dos volumes de vendas da marca e de seus parceiros, como a Nissan e Avtovaz, e da política de redução de custos, que em 2015 resultou em uma economia de € 527 milhões. Por outro lado, o efeito mix/preço/enriquecimento ficou negativo em € 379 milhões, principalmente em razão do impacto desfavorável pela descontinuidade de alguns modelos da norma Euro 6 que entrou em vigor na Europa. Apesar disso, o efeito dos preços contribui positivamente em razão principalmente das altas realizadas em alguns países emergentes para compensar o efeito negativo da queda de suas moedas.“Os resultados de 2015 marcam um avanço decisivo para a realização dos objetivos de nosso planejamento estratégico ‘Drive the Change’. A mobilização de todos e o sucesso de nossos modelos permitiram que atingíssemos nosso objetivo de margem operacional antes do previsto. Agora, devemos atingir nosso objetivo de faturamento mantendo um nível de margem superior a 5%”, declarou Carlos Ghosn, Presidente da Renault. Por sua vez, a Avtovaz teve prejuízo de € 620 milhões, resultado de uma conjuntura difícil na Rússia, cujo mercado caiu 35% no ano passado. A empresa computou danos importantes, como os € 136 milhões de perdas operacionais, além da depreciação do valor de investimento em € 225 milhões, pelo método de equivalência patrimonial. PERSPECTIVAS PARA 2016 Em seus insights para 2016, o Grupo Renault prevê que o mercado mundial deve ter crescimento de 1% a 2% sobre 2015. Espera-se uma alta no mercado europeu de 2% no período, o mesmo índice de alta previsto para o mercado francês. Já os mercados de Brasil e Rússia devem ficar novamente em recuo, respectivamente de 6% e 12%. Por outro lado, a China, que deve crescer entre 4% e 5%, e a Índia, que deve avançar até 8% manterão essa dinâmica de crescimento. Neste contexto, o grupo Renault espera aumentar o faturamento com taxas de câmbio constantes, melhorar a margem operacional e gerar um fluxo de caixa livre operacional positivo na divisão automobilística.
Fonte: Automotive Business