Montadoras brasileiras questionam livre comércio com México

Desde o ano 2000, Brasil e México mantêm um acordo que inibe taxas para importação e exportação de carros, mas até agora havia uma cota máxima para esse tipo de comércio. A partir desta terça-feira, 19, este limite deixa de existir, instaurando um livre comércio ilimitado para as transações comerciais no setor. As montadoras instaladas no Brasil tentam recorrer ao governo para impedir a nova fase do acordo, sem muita chance de sucesso.

Para o alto escalão executivo das montadoras brasileiras, a imposição de um livre-comércio ilimitado, neste momento, irá agravar ainda mais o cenário de crise e também poderá acelerar a fuga de investimentos do setor para outros pólos ao redor do mundo. Segundo as montadoras, o México oferece vantagens tributárias e competitivas para as montadoras instaladas em seu território.

No último dia 19 de fevereiro, a Ford, umas das cinco maiores montadoras do Brasil em vendas, anunciou que irá fechar sua unidade de São Bernardo do Campo, em São Paulo. O fim da operação nesta planta, segundo o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), afetará uma cadeia de, ao menos, 24 mil trabalhadores.

O acordo de livre-comércio que será alterado hoje remonta ao ano 2000. Na época, o então presidente do Brasil Fernando Henrique Cardoso junto ao seu par mexicano, Vicente Fox, firmaram o tratado que estabelecia uma cota para transações de carros ー que não incluiu caminhões ou outros veículos ー sem taxação.

A primeira versão do tratado previa a adoção de um livre comércio ilimitado até 2015, mas na época, a então presidente Dilma Rousseff estendeu a cota máxima por mais quatro anos, que terminam agora. 

Quando foi firmado, o acordo era positivo às montadoras brasileiras porque o Brasil produzia mais carros de passeio do que o México, o que abria espaço para exportações sem barreiras alfandegárias. De lá para cá, entretanto, o cenário se inverteu.