Brasil: Fabricantes defendem uso de etanol na hibridização de carros

Brasil: Fabricantes defendem uso de etanol na hibridização de carros

Imagine andar num ônibus equipado com motor 1.4 TSI ou comprar novamente um Fiat movido apenas por álcool e, ainda por cima, turbinado? Essas são algumas das propostas de fabricantes instalados no Brasil que estão apostando alto no etanol como alternativa para o futuro da mobilidade no país.

No seminário Ethanol Summit, realizado essa semana pela Unica, associação dos produtores de açúcar e etanol, alguns fabricantes e fornecedores se pronunciaram sobre as possibilidade que rondam o combustível vegetal nos próximos anos. As empresas Toyota, FCA, VWCO, Mahle e AVL debateram no encontro, o uso do álcool como fonte alternativa na hibridização de veículos.

Como o etanol é um combustível renovável e difundido no país, possuindo baixo impacto ambiental e com custo reduzido em relação à gasolina ou diesel, alguns fabricantes preparam projetos que envolvem diretamente o uso do álcool como substituto dos derivados de petróleo num processo de hibridização que inclui até veículos comerciais de porte médio.

Entre as propostas debatidas e já em curso, a Fiat Chrysler prepara um motor – provavelmente 1.3, já que é chamado de E4 – turbinado e movido apenas por álcool. A montadora está realizando testes para aprimorar a injeção direta do combustível, partida a frio, mistura ar-combustível e turbocompressor, melhorando a termodinâmica para que o propulsor baixe para menos de 30% a diferença de eficiência energética para a gasolina.

A austríaca AVL entende que a engenharia dos fabricantes instalados no Brasil precisa se unir e não ficar dependendo das estruturas existentes nos EUA, Europa e China. O país é único no uso do etanol e se trata de uma alternativa localizada, que tornará os carros híbridos diferentes por aqui.

Isso é o que entende a fabricante de peças Mahle, que também defende o uso do etanol, inclusive na hibridização de carros mais populares, pois, o país possui experiência no desenvolvimento e produção de motores 1.0. Este deverá ser o caminho a ser seguido pela Nissan com sua tecnologia e-Power com o 1.0 12V Flex dos March e Versa, por exemplo.

Embora não presente, a marca japonesa terá uma concorrente em células de combustível com etanol, como é o caso de sua tecnologia SOFC. A Toyota revelou que tem um projeto no Japão para utilizar o álcool como meio para obter o hidrogênio a bordo dos carros e alimentar as células, de onde sairá a energia elétrica para move-los.

Ônibus TSI

Brasil: Fabricantes defendem uso de etanol na hibridização de carros

O uso do etanol na eletrificação de automóveis deverá ser uma realidade nos próximos meses, quando o Novo Corolla chegar, sendo este o primeiro híbrido flex do mundo. Porém, o sedã da Toyota não será o único, pelo menos é o que se espera. A VWCO, divisão de caminhão e ônibus da Volkswagen, ligada à MAN, tem outra opção.

Pensando na hibridização do transporte urbano como outra alternativa para difundir o etanol no processo de eletrificação, a VWCO está testando internamente em Resende, um chassi de ônibus híbrido com 15 toneladas de PBT, mas com um motor improvável, o EA211 1.4 TSI. Trata-se do e-Flex.

O propulsor da VW, feito em São Carlos, está sendo utilizando como gerador para reposição de energia das baterias de lítio do ônibus, mas abastecido apenas com etanol, embora possa usar gasolina. Ele atua apenas quando a carga cai abaixo de 20%, carregando até 80% do total. A VWCO diz que o custo do álcool nesse caso é menor que o do diesel, gerando empregado em ônibus híbridos.

Porém, a montadora diz que sem incentivos governamentais, dificilmente as empresas de transporte público apostarão em um ônibus híbrido movido por etanol, devido ao custo extra, que no caso envolve as baterias de lítio, ainda o maior peso financeiro que os veículos eletrificados precisam carregar.

[Fonte: Automotive Business]

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