Novo Sorento: a Kia entre os grandes


Testamos a nova geração do jipão que vem com sete lugares e muito espaço para os ocupantes

Por Daniel Messeder // Fotos de Marcos Camargo

Design pertence à nova filosofia da marca: o resultado, porém, é mais interessante na dianteira que na traseiraPouca gente sabe, mas, apesar de rivais no Brasil e em grande parte do mundo, as coreanas Hyundai e Kia fazem parte do mesmo grupo desde 1997. Assim, elas compartilham plataformas, motores, eletrônica, tecnologia… Em geral, é a Hyundai que tem prioridade nos projetos. Entre os utilitários esportivos de maior porte, porém, a Kia inverteu a ordem. E o novo Sorento sai na frente do Santa Fe, apesar de herdar dele a plataforma monobloco e a suspensão independente nas quatro rodas. Na verdade, ao andar no Sorento, me senti numa versão anabolizada do Hyundai ix35. Muitas coisas são semelhantes: equipamentos, transmissão, jeito de andar, família do motor (2.0 no ix, 2.4 aqui)… A principal diferença está no tamanho. Com 4,68 metros de comprimento (10,1 cm a mais que o modelo anterior), o Kia agora traz até uma terceira fileira de bancos.

Ao volante, não consigo tirar o ix35 da cabeça. O movimento leve da direção (que ficou 6% mais rápida) e a suspensão firme são muito parecidas. Boa notícia para o Sorento, que ficou bem mais agradável de dirigir. Você entra nas curvas em velocidade e percebe que a carroceria não chacoalha muito, graças ao centro de gravidade 5,4 cm mais baixo que antes. Sigo o passeio bem impressionado, agora com as trocas suaves do câmbio automático de seis marchas e com as respostas do esforçado motor 2.4 16V. A princípio, torci o nariz para um jipão desse tamanho com motor “pequeno”. Bobagem: os 174 cv e 23 kgfm de torque dão conta do recado tanto na cidade quanto na estrada. A 120 km/h, em sexta marcha, o conta-giros aponta 2.500 rpm e só ouvimos o barulho do vento.

Os testes revelaram que o Kia 2.4 anda até um pouco melhor que o ix35 2.0 – sinal de que o porte extra foi compensado pelo motor maior. Ele gastou 12,5 segundos de 0 a 100 km/h e precisou de menos de 10 s para retomar de 80 a 120 km/h. Boa parte dessa disposição vem da nova filosofia do projeto: o Sorento deixou de lado parte de sua vocação aventureira. Perdeu o chassi separado da carroceria e a caixa de redução (o que inviabiliza a importação da versão 2.2 a diesel para o Brasil) em troca de um emagrecimento de cerca de 200 kg. Com isso, ele pôde usar motores menores (o V6, que deve ser importado mais tarde, diminuiu de 3.8 para 3.5 l) e mais econômicos. Parece hipocrisia um jipão preocupado em economizar combustível, mas o Sorento vem até com econômetro: no painel, a palavra “ECO” fica verde se você pegar leve no acelerador, e vermelha se você pisar fundo. Mesmo com a ajuda do recurso, o consumo foi apenas razoável, com média de 6,5 km/l no ciclo urbano e de 10,1 km/l no rodoviário.

Apesar de o Sorento ter ficado com mais fome de asfalto do que de terra, ele ainda oferece alguma desenvoltura no off-road. Tem boa altura livre do solo (20,3 cm) e, mesmo com suspensão rígida e rodas aro 18, dá menos pancadas secas que o ix35 nos buracos (o que vale também para buracos no asfalto). Fora isso, ele traz os mesmos recursos do Hyundai: tração 4×4 sob demanda (com opção de bloquear o diferencial central) e controle de descidas (que limita a velocidade em 8 km/h), tudo acionado por botões à esquerda do motorista.

Por falar em comandos, eis mais um elo de semelhança com o ix35. O CD player fica na mesma posição, o ar digital de duas zonas está no mesmo lugar, o teto solar panorâmico é praticamente igual e a chave só troca o logotipo da marca. No Sorento, você também entra sem a chave (há um botãozinho na porta para destravá-la) e dá a partida por um botão. A câmera de ré é outra que está lá, com sua imagem exibida no retrovisor interno. Reparou que o Kia é tão equipado quanto o Hyundai? Ou melhor, o Sorento vai além: tem faróis de xenônio, saídas de ar-condicionado para as duas fileiras de trás, direção que ajusta em altura e profundidade, e capô sus
Fonte: Auto Esporte