O carro, descartado como meta e sonho dos jovens

Editorial: Fabrício SamaháAs novas gerações não se interessam mais pelo automóvel, uma tendência que parece envolver vários fatoresJá se vão mais de 20 anos, mas me lembro como se fosse ontem a euforia de completar 18 anos. Contava dia após dia para obter a tão sonhada habilitação e poder sair pelas ruas ao volante, sem depender de mais ninguém. Liberdade, independência… O primeiro dia em rodovia, as primeiras escapadas a uma serra rumo a Campos de Jordão ou ao litoral, o primeiro carro próprio — e tudo o mais que, na visão de um jovem dos anos 90, só poderia ser feito ou só teria graça de verdade com um automóvel.O Fiat Uno rodadinho podia não ser grande coisa, mas merecia uma limpeza todo sábado, uma cera de 15 em 15 dias, alguns acessórios para se diferenciar dos Milles que enchiam as ruas. E o carro não estava em meu dia a dia apenas ao dirigir: também nos papos com os amigos, na parede do quarto, nas revistas que já por 10 anos enchiam estantes.Dos muitos carros fantásticos de teste, apenas um despertou curiosidade no filho de 13 anos: o Nissan Leaf, sem motor a combustão Quantos jovens passam por isso hoje? O fenômeno, que já vinha sendo identificado no Brasil e em outros países, parece cada vez mais claro em todo lugar, das metrópoles às cidades menores. Os adolescentes e jovens desde a chamada Geração Y — a quem alguns denominam millenials —, nascidos da década de 1990 em diante, não apenas estão desinteressados em dirigir e em obter sua habilitação: também descartaram o automóvel de seus sonhos de consumo, aquela visão tão familiar aos leitores do Best Cars.
Fonte: UOL Carros / Best Cars