O carro moderno está de dieta!

Foto: Leonardo RodriguesValdner Papa

Valdner Papa, especialista no mercado automotivo, é articulista do Sincodiv Online. Formado em Administração de Empresas pela FGV (Fundação Getúlio Vargas), com MBA em gestão automotiva, e especialização em marketing automotivo pela Northwood University, é responsável pela coluna Por dentro do Mercado, publicada com exclusividade pelo boletim eletrônico do Sindicato dos Concessionários e Distribuidores de Veículos no Estado de São Paulo (Sincodiv-SP)

O preço dos combustíveis está mudando completamente o conceito de construção dos novos automóveis. A palavra de ordem agora é diminuir ao máximo o peso do carro para que ele possa consumir muito menos combustível.

Os japoneses consideram essa iniciativa prioritária e já colocaram metas a serem alcançadas. A Nissan busca até 2015 diminuir em 15% o peso de seus carros. A Toyota quer atingir uma redução de 10% no peso de seus carros do segmento de tamanho médio até 2010. Já a Honda tem os mesmos desejos, mas ainda não os expressa em números. A Mazda estabeleceu uma redução de 220 libras no peso de seus veículos.

Todas essas iniciativas significam buscas de novos componentes e materiais, tanto na estrutura quanto no acabamento. Porém a Toyota determinou que o Corolla da próxima geração deverá se apresentar 30% mais leve. Como será alcançado esse grande desafio, e o que significará para clientes e concessionários esta nova realidade?

Será que estaria se desenhando uma enorme oportunidade positiva de ganhos? Será que esse novo veículo não atrairia muito o consumidor pelas enormes economias que produziria? Será que não se abriria uma enorme oportunidade na área de acessórios pelo barateamento do produto na sua origem? Será que a qualidade do produto não seria ampliada de forma acentuada, melhorando a imagem para o consumidor?

Como conseqüência, o mercado de usados não estaria, na realidade, sendo beneficiado, num primeiro momento, na troca dos modelos antigos a preços atrativos? As famosas reclamações de clientes sobre alto consumo não seriam fortemente diminuídas?

Vejam que mundo novo se aproxima e quantas transformações e oportunidades podem ser constatadas! Mas o novo quadro não pára só nesse importante fato. Passa inexoravelmente também pelo novo caminho dos combustíveis alternativos, o etanol, o bio-combustível, o carro elétrico, o carro movido a hidrogênio e outros tantos novos projetos que ainda surgirão.

Passamos também pelas obrigações ambientais que cada vez mais ganham corpo e importância mundial, no sentido de preservação de nosso planeta e aumento da qualidade de vida. E porque não lembrar da importância da nova tecnologia? O veículo é, cada vez mais, desenhado e construído na base de chips, onde o diagnostico será feito por computadores em fração de segundos. O trabalho será uma troca quase que instantânea de chips, e o carro será quase uma casa, um escritório e um local de lazer ao mesmo tempo.

Estamos preparados para todas estas transformações quando falamos da estrutura do concessionário atual, não só em instalações, mas principalmente em gente, treinamento, conhecimento, modernidade e principalmente visão de longo prazo? Estamos atravessando uma importante crise mundial que vem obrigando a todos a importantes cortes de custos, porem é na hora de cortar que devemos lembrar que o ajuste deve ser bem feito, uma vez que a crise não durará para sempre, basta lembrar todos estes desafios que acabamos de mencionar.

Será que não devemos promover os ajustes com um olho no presente e outro no futuro? O famoso General Chinês Sun Tzu de “Arte da Guerra” já nos ensina que “O guerreiro vencedor é aquele que vence primeiro e depois vai para guerra”.

Fonte: Boletim Sincodive