O fornecedor de autopeças à espera dos pedidos das montadoras

A produção aos sobressaltos está de volta. Entre o sobe-e-desce das vendas de carros, os profissionais de planejamento encarregados de ‘dar os números’ para a turma da produção ficam transtornados com os riscos envolvidos na tomada de decisão. A produção aos sobressaltos está de volta. Entre o sobe-e-desce das vendas de carros, os profissionais de planejamento encarregados de ‘dar os números’ para a turma da produção ficam transtornados com os riscos envolvidos na tomada de decisão.

Ficar com estoque em casa? Nem pensar. Chega o susto na virada do ano, quando uma montanha de mais de 210 mil carros ficou nos pátios de montadoras e concessionárias, apesar das férias coletivas.

Em abril a produção da indústria automobilística, incluindo veículos comerciais, caiu 6,9% em relação a março. Era previsto, diante dos feriados no mês. Mas a soma dos veículos montados ao longo deste ano caiu mais ainda: 16,4%. Em 2009 foram fabricadas 916.225 unidades. Em 2008, no mesmo período, 1.095.460 unidades.

A produção total de veículos leves caiu 15,4% no quadrimestre. Já a de caminhões e ônibus, 32,4%. Na área de máquinas agrícolas não foi diferente – houve um recuo de 23,6%.

Faltando à missa

Para o fornecedor de componentes e sistemas, o stress na programação das linhas de montagem é igualmente grande. Se o mercado se comportasse como um oceano azul, tudo bem. Mas junto com as marolas têm chegado grandes ondas. Todo mundo que adotou os conceitos da Toyota (até a Mercedes está nessa) sabe que deve haver um ritmo constante nas linhas de produção para os índices de eficiência e qualidade ficarem em alta.

Com os desalinhamentos ao longo da cadeia produtiva, os fabricantes de autopeças entram em parafuso. Ainda sob o efeito das férias prolongadas, dispensas de pessoal, oscilações e indefinições nas encomendas das montadoras e de indecisões nos investimentos, as linhas de montagem acabaram ajustadas em ritmo diferente no supply chain. Faltou uma peça apenas? Vai parar tudo?

O stop and go traz toda sorte de problema, começando pela dificuldade em programar a manutenção. Há gastos adicionais com emergências: transporte extra, helicóptero para apagar incêndio, horas extras nos fim de semana.

Nos três primeiros trimestres do ano passado grande parte dos profissionais da indústria automobilística, incluindo autopeças, mal tinha tempo de ir à missa. Consertar o telhado da fábrica? Nem pensar. As emoções estão de volta este ano. Melhor assim do que aquela paradeira assustadora.

Fonte: Automotive Business