O surpreendente fôlego do mercado brasileiro

O clima no setor automotivo global não é dos melhores. As vendas de veículos despencaram nos Estados Unidos mais uma vez e os resultados das montadoras na Europa e no Japão estão negativos. Não há sinais de melhora imediata, como demonstraram as declarações dos executivos que comandam os rumos do setor durante a abertura do Salão de Paris. A maioria das receitas para enfrentar os tempos atuais passa pela revisão de estratégias, prudência, corte de custos, investimentos e de pessoal. A esperança da indústria automobilística compensar esse lado negativo continua depositada nos países emergentes, que podem ser afetados menos duramente. A Rússia tem dado sinais de turbulência, mas Índia e China dão mostras de estarem em trajetória razoavelmente segura. Nesse contexto que prenuncia mudanças na ordem global, no entanto, nem tudo aponta para baixo. Nem mesmo há unanimidade sobre a duração da crise e seus efeitos. A direção global da Fiat mostra confiança e seu presidente mundial, Luca di Montezemolo, disse aos jornalistas em Paris que o setor automotivo sairá fortalecido destes tempos difíceis. No Brasil o presidente do Grupo Fiat, Cledorvino Belini, fez coro com o executivo italiano. Para ele, está de pé o programa de investimentos de R$ 6 bilhões no país, de 2008 a 2010. Há motivos para esse otimismo, já que as estatísticas têm mostrado teimosamente um avanço na distribuição de veículos. Em setembro as vendas somadas de carros, comerciais leves, caminhões e ônibus foram nada menos que 31% superiores às realizadas no mesmo mês de 2007. As vendas acumuladas no ano deram um salto de 27% em relação ao mesmo período de 2007. Estará o Brasil totalmente imune à crise no setor automotivo? Certamente que não. Mas o fôlego das vendas tem sido invejável, alimentado de crédito farto e de longo prazo. Se as instituições financeiras mantiverem de pé essa proposta e a economia como um todo resistir, o país poderá continuar a surpreender o mundo com seus resultados expressivos no setor automotivo (3 de outubro).
Fonte: Automotive Business