Obama confirma concordata da Chrysler e parceria com a Fiat

Do Diário OnLine
Com AFP

O presidente Barack Obama confirmou nesta quinta-feira que a montadora americana Chrysler recorreu ao capítulo 11 da “Lei de Falências” (ou seja, pediu “concordata” ou “recuperação judicial”) e fechou um acordo com a italiana Fiat. A empresa será colocada sob a proteção da Lei após o fracasso das negociações para a reestruturação de sua dívida, avaliada em US$ 6,9 bilhões.

“Hoje, tenho a honra de anunciar que a Chrysler e a Fiat formaram uma sociedade que possui uma forte chance de sucesso”, afirmou Obama em um breve pronunciamento na Casa Branca para anunciar o acordo.

A fusão das duas montadoras marca uma nova etapa no longo declínio desta pioneira do automobilismo que acumulou erros industriais e reveses financeiros e está, atualmente, na mesma situação difícil de 30 anos atrás.

A agonia de uma das principais montadoras dos Estados Unidos começou em 1979, quando a Chrysler já havia sido salva da quebra com garantias públicas de sua dívida, que influenciaram a votação de uma lei pelo Congresso.

O apoio federal e o lançamento de modelos inovadores permitiram então que a Chrysler se recuperasse, após os golpes sofridos com as crises do petróleo de 1973 e de 1979 e com a concorrência japonesa.

Nos anos 1980, a empresa iniciou uma reestruturação rigorosa, realizada por Lee Iacocca. A Chrysler atacou o mercado dos carros menores graças a uma aliança com a japonesa Mitsubishi. A empresa tentou voltar à Europa, onde possuiu a marca Simca no início dos anos 1990, com uma fábrica austríaca.

Em 1987, ela recuperou a famosa marca de veículos todo-terreno Jeep, comprando da Renault a montadora americana AMC, à beira da falência.

Com modelos audaciosos, como o esportivo Dodge Viper, os carros da Chrysler caíram novamente nas graças dos consumidores.

Em 1998, a Chrysler se uniu com grande pompa à Daimler-Benz. A fusão foi anunciada como de igual para igual, mas foi o grupo alemão que assumiu uma dívida de US$ 36 bilhões e ficou com a direção das operações, para a insatisfação de funcionários e engenheiros americanos.

Nos anos 2000, foram lançados projetos de redução de custos, por meio de parcerias tecnológicas, como foi o exemplo do cupê germano-americano Chrysler Crossfire.

Mas, apesar de alguns sucessos, o grupo perdeu muito de seu dinamismo. Teve que romper a aliança com a Mitsubishi, envolvida em um escândalo de problemas mecânicos encobertos. Depois disso, assim como ocorreu com sua concorrente GM (General Motors), seus resultados foram sendo derrubados pelos custos sociais, com as aposentadorias, por exemplo.

Em 2005, o mentor da fusão entre a Daimler e a Chrysler, Jürgen Schrempp, deixou prematuramente a liderança do grupo. Seu sucessor Dieter Zetsche se pronunciou publicamente por um divórcio, em fevereiro de 2007, o que se concretizou três meses depois: 80,1% da Chrysler foram cedidos ao fundo de investimentos Cerberus.

O grupo não havia se preparado para a escalada dos preços do petróleo entre 2007 e 2008, e entrou na crise econômica mundial com uma frota pouco econômica.

Voltou-se tardiamente para os modelos híbridos, previstos para 2010. Mas nesse domínio, suas concorrentes japonesas estavam bem à frente.

A fatia do mercado da Chrysler nos Estados Unidos foi fortemente afetada pela recessão e as vendas desabaram em 2008. A união com a tradicional montadora italiana foi promovida para tirar a empresa automobilística americana de mais uma situação dramática.

Fonte: Diário do Grande ABC