Os caminhos da Índia: Mahindra e Tata puxam o país asiático

Foto: AFP (arquivo)                          Auto Press, em Mumbai (Índia)

Nas ruas de Mumbai, ônibus, motos, carros e pedestres disputam espaço
“A indústria automotiva mundial deveria olhar para a Índia e reaprender como desenvolver produtos”. Dita no final do ano passado por Carlos Ghosn, o brasileiro que preside a francesa Renault, a frase tinha algo de profética. Várias notícias no setor neste 2008 surgiram na Índia. A mais impactante foi em janeiro, quando a Tata Motors apresentou o protótipo Nano, com preço estimado em US$ 2.500 (cerca de R$ 4.800). Já sua compatriota Mahindra ganhou destaque na mídia econômica ao desenvolver, com a serena obstinação da filosofia hindu, o processo de globalização de seus utilitários.

Em alta na imprensa mundial, até pouco tempo atrás a indústria automotiva indiana era a mais discreta dos chamados “Bric” — acrônimo de Brasil, Rússia, Índia e China –, considerados por muitos economistas como as futuras potências mundiais. No início da década passada, apenas quatro marcas atuavam no mercado local: Tata, Mahindra, Hindustan e Premier.

Foi a entrada do país na Organização Mundial do Comércio (OMC), em janeiro de 1995, que mudou o cenário das ruas. Mudou tanto que muitos analistas já chamam esse mercado emergente de 1,1 bilhão de pessoas, 25% das quais estão abaixo da linha de pobreza, de próximo megamercado mundial, após a China.

Ver as poderosas marcas globais brigando pelo consumidor local — atualmente o campeão de vendas é o Hyundai I10 — inspirou as fabricantes indianas. “Nossos engenheiros e projetistas fizeram o melhor que puderam nos últimos quatro anos para que pudéssemos chegar ao Nano”, afirma Ratan Tata, dono da Tata Motors. Após o lançamento na Índia, previsto para 2009, o badalado carrinho “ultra low cost” pode chegar à Europa em 2012, em sua segunda geração, que deve ser adequada às normas do continente.

“Talvez o nosso próprio carro de baixo custo para a Europa possa vir a ser produzido na Índia”, ponderou o presidente mundial da Fiat, Sergio Marchionne. No último dia 21, ele estava em Nova Déli para tratar da retomada da parceria estratégica com a Tata, com quem a marca italiana já possui uma joint-venture numa fábrica de automóveis e motores na cidade indiana de Ranjagaon.

SABER FAZER BARATO
Atenta ao impacto do Nano, a fabricante indiana de motocicletas Bajaj criou com a Renault/Nissan outra joint para a criação de um modelo no mesmo segmento. A expertise em veículos baratos é explicável pelas características do mercado local. E se torna evidente para quem circula por Mumbai, a cidade mais populosa do mundo, com cerca de 20 milhões de habitantes, antigamente chamada de Bombaim. No caótico trânsito da megalópole, milhares de triciclos motorizados e cobertos (espécie de riquixás com motor) servem de táxi e disputam as esburacadas ruas com muitos carros novos e outros tantos caindo aos pedaços, uma quantidade assustadora de motocicletas, e ainda com as onipresentes multidões de pedestres. Além, é claro, das vacas, que circulam lampeiras pelas ruas do centro, talvez cientes de seu status de animal sagrado da religião hinduísta.

O baixo poder aquisitivo da maioria da população, a restrição de espaços nas grandes cidades e a brutal vendagem de veículos de duas rodas na Índia (são cerca de 7 milhões por ano) justificam o apelo dos automóveis baratos, compactos e que sirvam de primeiro carro para o imenso contingente de motociclistas. A mão-de-obra local, farta e barata, é intensivamente treinada para aliar baixos custos de produção com qualidade.

UTILITÁRIOS

Mas nem só de compactos de baixíssimos custos vive a boa fase da indústria automotiva indiana. Os robustos utilitários da Mahindra, após décadas restritos ao mercado local, nos últimos anos encaram a árdua trilha da globalização. Primeiro foram os mercados do Sudeste Asiático e da África. Depois, desembarcaram em países da antigo bloco soviético e da América Latina, como Chile e Uruguai, e na Austrália. A seguir, foi a vez de vender na Itália, França e Espanha — o lançamento em Portugal e Tur
Fonte: Uol Carros